Edições Anteriores

  • 2018

  • Casa e Trabalho
    N. 8 (2018)

    A casa, encarada como habitáculo é uma entidade física, e nessa perspectiva pode ser entendida como um abrigo. É talvez aí onde se radica o significado mais antigo da casa.Mas a casa tem também um significado sentimental, digamos que poético ou fenomenológico. Miguel Esteves Cardoso numa das suas crónicas do jornal Público intitulada “sobressair em casa” escrevia o seguinte:(...) “ficar em casa ajuda a pensar a nossa casa como um destino, um lugar onde chegamos, que levou muito tempo a atingir”. E ainda: “A casa é um refúgio mesmo para quem quer fugir dela”. Esta abordagem da casa, por parte de MEC, profundamente emotiva, está, no entanto, posta em causa pela dinâmica da sociedade global em que vivemos, porque a casa é um bem cada vez mais volátil e transitório, comparativamente ao que acontecia, por exemplo na primeira metade do século passado. Nas primeiras décadas do século 20 e mesmo até nos anos 50 em Portugal, poderia facilmente acontecer que alguém habitasse num 3º piso de um prédio urbano da cidade e trabalhasse numa loja ou industria no R/C do mesmo prédio. E essa casa habitava-se amiúde toda a vida.

  • 2014

  • Natureza / Nature.
    N. 7 (2014)

    Natura é a tradução para o latim da palavra grega physis (φύσις), que no seu significado original fazia referência à forma inata dos seres que crescem espontaneamente - plantas e animais. O conceito de natureza como um todo é um conceito mais recente que adquiriu usos e significados cada vez mais amplos com o desenvolvimento do método científico “moderno” próprio do século XX. A Natureza, no seu sentido mais amplo, é equivalente ao mundo natural, mas o termo “natureza” faz também referência aos fenómenos do mundo físico, e também à vida em geral ou à forma como coexistem os diversos tipos particulares de fenómenos e as suas mudanças espontâneas, como o tempo atmosférico, a geologia da Terra, a matéria e a energia que estes entes possuem. Geralmente não inclui os objetos artificiais construídos pelo homem. As escalas abrangidas pela palavra natureza dentro deste contexto, vai desde o nível subatómico até à escala universal dos planetas e estrelas. Porém, tomando como recorte a escala do homem, inclui basicamente o meio ambiente natural e normalmente exclui o meio ambiente construído, muito embora algumas definições incluam o meio-ambiente alterado pelo homem como elemento da Natureza.

  • 2011

  • A cidade.
    N. 6 (2011)

    Cidade é o tema deste sexto número das Sebentas D ́Arquitectura. Um tema esperado e quase obrigatório, porque a cidade tem sido também o tema geral de um conjunto de exercícios projectuais de âmbito académico, desenvolvidos pelos alunos do curso de Arquitectura da Universidade de Lusíada de Lisboa.Mas, para além desse facto singular e circunscrito, a cidade é, sempre foi, um campo de acção e de investigação privilegiado para os arquitectos e para a arquitectura. É um tema incontornável do universo arquitectónico. No geral, define a intervenção da Arquitectura no meio urbano, mas também define, em parte, um conceito de regra, de uma regra que a arquitectura institui no território colonizado pelo homem. E define também uma escala supra---edificatória, que envolve disciplinas e áreas do conhecimento tão diversificados como o paisagismo, as engenharias, a sociologia, a geografia, a antropologia, a política, por exemplo.

  • 2004

  • A luz.
    N. 5 (2004)

    O que há de tão comum entre os homens e arquitectura, entre o dia-a-dia da buliciosa vida humana e a serena quietude da arquitectura em silêncio, ancorada na terra? – A LUZ. Sem ela, nem a humanidade nem a Arquitectura, enquanto Arte, poderiam sobreviver, sem ela não não se deixavam ver, nunca atingiriam a plenitude da sua essência e da sua…beleza. É na sua ausência, que mais sentimos a sua incontornável presença. A LUZ, é uma energia vital para a Arquitectura, matéria disponível que se molda A LUZ com o tempo. A LUZ é fonte de constante mudança – muda de intensidade, de cor, de temperatura, ao longo do dia, ao longo do lento desfilar das estações do ano e, com essa mudança, permite revelar uma sublime variedade no modo como vemos e sentimos a arquitectura.
  • 2002

  • Globalização.
    N. 4 (2002)

    "A world-wide style culture". Esta frase, inserida num web-site da Levis em 1996, fixa com enorme acutilância a situação do mundo actual, neste principio do século XXI. A ideia de globalização, de uma sociedade globalmente intercomunicada, à escala planetária, tem a marca do séc.xx, mas s sua interpretação (e aplicação) real foi-se alterando. A microelectrónica e a rede mundial de comunicações estão no centro de uma sociedade-utopia que foi teorizada a diversos níveis. Essa sociedade tinha uma matriz ideológica, que era a de levar o progresso, o bem-estar e a democracia a todos. Mas a ideia de uma aldeia global de Mcluhan, perdeu toda a sua ingenuidade para se transformar numa imensa megapólis virtual onde tudo depende de um primado económico e onde prevalece o poder de quem detém o poder económico e o poder tecnológico, por arrasto. Não se trata já de um problema de uniformização coerciva, a diversos níveis, que veremos analítica e criticamente retratada nas teses de Paul Virílio ; mas sobretudo de uma auto racia dos mais fortes sobre os mais fracos, que tira a estes últimos a sua própria autonomia económica, política e cultural.
  • 2001

  • O lugar.
    N. 3 (2001)

    O LUGAR é um conceito que tem suscitado muitas e recentes discussões nos círculos da crítica arquitectónica contemporânea. Aliás, é à volta deste conceito que se vão definindo algumas das recentes vias (que aliás são poucas) que têm surgido no contexto da arquitectura ocidental deste início de século e de milénio. A polémica mais evidente situa-se entre aqueles que continuam a entender o lugar como uma entidade fenomenológica que encerra significados e formas específicas (e que, por via da interpretação desses significados e formas, se pode transformar num elemento influenciador ou integrador do projecto) e aqueles que desvalorizam a importância do lugar como elemento significativo (na perspectiva de uma sociedade globalizadora, predominantemente urbana e tecnológica, que "uniformiza" os lugares) e que substimam a sua importância estética pelo facto de, supostamente, o tempo se encarregar de apagar ou alterar a sua forma. A posição destes últimos é, mais ou menos, a de que o conceito "tradicional" do lugar é uma batalha perdida e reaccionária, face aos avanços das sociedades contemporâneas.

  • 1999

  • O habitar.
    N. 2 (1999)

    O segundo número das "Sebentas d'Arquitectura" é dedicado ao tema do habitar. Este é seguramente um tema quase omnipresente nas preocupações dos arquitectos e dos alunos de arquitectura, porque é uma parte substancial da própria definição da Arquitectura-ou pelo menos de uma "possível" definição de Arquitectura, mais abrangente, que se possa encontrar na contemporaneidade. Continua (ainda) a ser consensual que a conformação e construção do espaço constitui o objectivo último da Arquitectura, mas que esse espaço não tem sentido verdadeiramente arquitectónico se não tiver condições optimizadas para ser habitado... Construir e criar as condições qualitativas do habitar, constitui assim, o núcleo essencial da condição arquitectónica, que demarca, nomeadamente, a diferença entre a Arquitectura e outras artes. Em que consiste este habitar (arquitectónico)? - Quais as propriedades qualitativas que sugerem a condição de "poder" habitar ou de "ser" habitado? Estas são questões que têm interessado um grande número de arquitectos e em particular os críticos e teóricos da arquitectura, sobretudo a partir dos anos 40 e do pós-guerra.

  • 1998

  • Esquissos.
    N. 1 (1998)

    Eis o primeiro número das “Sebentas de Arquitectura”. Esperemos que muitos mais venham a ser editados, e que através deles se crie definitivamente uma publicação dedicada à investigação teórica e à crítica de temas directamente relacionados com a Arquitectura e com o Urbanismo. As “Sebentas de Arquitectura” serão, nesse âmbito, um espaço pluralista, aberto a diversificadas opiniões (de grande rigor, também) e que ajudará, sem dúvida, a preencher uma enorme lacuna que sempre perseguiu o panorama da arquitectura portuguesa: a ausência de investigação e debate teórico. É precisamente isso que queremos que aconteça nestas Sebentas: investigação e debate. E pretende-se que isso constitua uma mais valia não só didática (fundamentalmente para os estudantes de arquitectura) como crítica e especulativa - que interessará seguramente a todos os arquitectos. Dedicámos este primeiro número ao Desenho, um tema universal na Arquitectura, mas que tem vindo progressivamente a ser secundarizado e banalizado.