O visível e o invisível

António Paulo Leite Brito da Silva

Resumo


A arquitetura ao articular ideias (humanas e artificiais) com coisas, objetuais e físicas (naturais), torna-se num diálogo entre o natural e o artificial, apesar de na nossa experiência individual e coletiva as coisas também já serem artificiais, porque transformadas em ideias, memória e linguagem.

A natureza está, como conceito, representação, sentimento, modelo ou metáfora, presente no habitar, nos seus mais diversos aspetos, como na mentalidade mítica primitiva, nas artes, nas interpretações racionais, no domínio ético-político, jurídico ou económico.

A geometria foi a linguagem utilizada, inicialmente, como representação das forças naturais ou divindades, de um modo mítico ou místico, revelando a ordem criadora por eles imposta a todas as coisas. Reapareceu pela ciência, apresentando um maravilhamento, um fascínio ou uma aprendizagem com a geometria das leis da natureza, especialmente pela física e pela biologia. Esta linguagem também surge na memória da relação do corpo com os objetos e nas possibilidades, permitidas pela natureza, de relacionar esses objetos, originando formas, texturas e padrões.

A geometria tornou-se numa parte fundamental do habitar, da construção artificial que é o humano, e, simultaneamente, do modo como este humano se apropria das coisas naturais, tornando-as artificiais. A geometria habita-nos e, com ela, habitamos e construímos arquitetura. Entre o visível e o invisível.


Articulating ideas ( human and artificial ) with things, objectively and physically ( naturally ) the architecture, becomes a dialogue between the natural and the artificial, although in our individual and collective experience, things also have to be artificial because transformed into ideas, memory and language. Nature as a concept, representation, sentiment, model or metaphor, is present in the dwelling, in its various aspects, as well as in primitive mythic mindset, in arts, in all the rational interpretations, and in ethicalpolitical, legal or economic fields.

Initially, the geometry was a language used as representation of natural or sacred, mythical or mystical forces, revealing the creative order they imposed on all things. Reappeared with science, representing an astonishment, an apprenticeship or a fascination with the geometry of natural laws , especially in physics and biology. The geometry also arises as a memory of our body relationship with objects, with all the possibilities allowed by nature, to relate these objects, creating forms, textures and patterns.

The geometry has become a key part of the dwelling, the artificial construct that is Man, and simultaneously, the way this man appropriates natural things, making them artificial. The geometry inhabits us, and with it, construct and inhabit architecture. Between the visible and the invisible.


Palavras-chave / Keywords

Arquitetura, Habitar, Natural, Artificial, Geometria.

Architecture, Dwelling, Natural, Artificial, Geometry.


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