Natureza, conhecimento e desenho

Elisa Maria Coelho Ferreira Bernardo

Resumo


Começando por agregar o conceito de Conhecimento ao de Natureza, passamos a colocar o Desenho de Observação como prática mediadora. Aflorando a noção daquilo que “é”, mas também daquilo que ”não é” esta modalidade específica de desenho, procuramos dissolver alguns equívocos conceptuais. Assim, a observação conduzida pelo desenho é negada nas suas dimensões mais passivas e/ou miméticas para, ao invés, ser exaltada na sua capacidade em desenvolver as faculdades interrogativas e, aí, em estimular um pensamento de tipo fracturante entre o objecto e a representação, entre o natural e o abstracto. Na retaguarda de um tal desenvolvimento, apontamos a inevitabilidade da aprendizagem e, mais concretamente, do importante papel desempenhado pelas metodologias da observação, no contexto do ensino do desenho. Não se centrando de modo algum nas redes de relações teóricas e práticas que se tecem entre o desenho e o projeto, o artigo não deixa, porém, de entreabrir uma fresta sobre o espaço de intercâmbio dos territórios do desenho-processo e do desenho-projeto.


Starting by adding the concept Knowledge to that one of Nature, we put the so-called observation drawing as a mediator practice. Cropping out the notion of what “is”, but also what “is not” this specific type of drawing process, we will try to dissolve some conceptual misunderstandings. Thus, the observation conducted by the drawing is denied in its most passive and / or mimetic dimensions to, instead, be exalted in its ability to develop the interrogative faculties, and there, in stimulating a tough kind of division between the object and representation, between the natural and the abstract. At the rear of such a development, we point out the inevitability of learning and, more specifically, the important role played by the methods of observation, in the context of drawing teaching. Not focused at all on the theoretical and practices networks that are woven between drawing and project, this article tries, however, to open a small crack in the inter-exchange between the” process- drawing” and the “drawing-project” territories. (…) to Le Corbusier, the nature raises immediately the idea of a study. And this study adds to a purely contemplative sight, the implicit search, the detection of structures revealing the constants of order and law (…) This allusion to Le Corbusier allowed us to add the concept of Knowledge to that one of Nature, two basic notions in art theory. We now want to move forward, focusing on the design as a mediator between them, as a tool for graphical questioning about the relationship of man with the natural surroundings.


Palavras-chave

Natureza, Conhecimento, Desenho de observação, Processo interrogativo, Sujeito, Pensamento fracturante.


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