A natureza como suporte da cidade sustentável

Carlos Lopes

Resumo


A partir da segunda metade do século XVIII e ao longo do século XIX, as sociedades mais desenvolvidas da época, estando a Inglaterra na vanguarda deste processo, foram palco de transformações determinantes no estabelecimento de uma nova ordem política, social a económica, com impacto na forma da cidade. Este período viveu a mecanização da indústria, a utilização de novas fontes de energia, revolução nos transportes com a implementação do comboio. Por outro, o sistema capitalista afirma-se nesta época, acelerando este processo de crescimento, levando à transformação da matriz da propriedade do solo, que passou a ser uma mercadoria e alterou definitivamente a forma urbana desde então. Como refere Torres, os seus efeitos na sociedade não foram abruptos nem rápidas no tempo. Implicam, contudo, um processo social global completamente novo, de cuja natureza parece ser imprescindível o carácter de continuidade progressiva (TORRES:2003). Mas a explosão demográfica das cidades, tem consequências dramáticas nas classes sociais mais pobres que, vivem em habitações sobrelotadas, insalubres e sem qualidade construtiva e arquitectónica. A cidade de Londres passa de 864 845 habitantes em 1801 a 1 873 676, em 1841 e 4 232 118 em 1891. Em menos de um século a população praticamente quintuplicou, muito devido às migrações campo-cidade pela força da industrialização. Estas mudanças vão eclodir numa série de reações de carácter filosófico, político e social, que marcaram decisivamente a forma da cidade no futuro, a par de novas visões de sociedade e da economia.

 

The city has in its agenda a series of issues that challenge its own sustainability. Due to an asymmetrical urban growth in the last decades, mainly supported by the economic and financial system. Today’s reality demands a closer look over the impact that the urban fabric has over nature - its live support. The industrial revolution plays a key role in understanding today’s reality, due to the economic, social and environmental transformations that took place along the 19th century, that reflect its matrix in contemporary cities and societies at a global scale. Many thinkers of that time reacted to the way that the city was developing and to the life conditions of the least favoured classes. Some of them developed alternative solutions to the matrix of the cities of that time, where nature played a key role. The answer to today’s urban questions lies on a strategic vision over local public policies, putting in place the instruments for urban regeneration under the principals of sustainable development, to mitigate the negative impacts of energy dependency, urbanization effects, the automobile and consumption levels that today play a key factor in the planet’s load capacity.

(…) Sustainable development is defined precisely as a way to change the paradigm in which our societies are formatted, supported by four pillars : the economy, the environment, society and the culture. These pillars can only be activated by a strategic vision that integrates, a governance model where the natural capital and immaterial, prevails over the material capital, with respect for diversity. A strategic vision is essential to activate, with clarity and creativity, different tools for planning and land management, enabling the principles of sustainability in order to find operational component methodologies that extend in time and can be ripened by a continuous processcontributing for the purpose of a sustainable development (…)


Keywords

Sustainable planning ,Nature, Urban design, Sustainable development.


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