Natureza e Arquitectura: notas a pretexto do actual interesse pela sustentabilidade

Bruno Silva, Gonçalo Miguel Furtado Cardoso Lopes

Resumo


O termo “natural” certamente não poderia ser usado enquanto a Natureza não fosse compreendida e apresentada como um objecto de conhecimento e experiência, defendem Ábalos e Herreros.1 Paolo Portoghesi refere em Nature and Architecture as diferenças e semelhanças entre as formas naturais e as formas arquitectónicas, mas também chama a atenção para as comparações entre as formas naturais e as ideias que ao longo dos séculos marcaram a arquitectura. Existiu desde sempre uma distinção entre o “natural” e o “artificial”, assim como entre a ciência da arquitectura e a arte da arquitectura. A ciência comunica noções de quantidades, verificáveis por número e leitura universal. Por outro lado, a arte munica noções de valor e fantasia. É dessa forma que Jacinto Rodrigues refere Arne Klingborg dizendo que a experiência
profunda da natureza se expressa em artista e poetas, procurando imagens ou “seres da natureza que se manifestam como conhecemos já, através dos contos de folclore e da poesia antiga”. É certo que a Arquitectura é afectada por temas que preenchem as páginas dos periódicos e meios de difusão desta disciplina. Um dos temas que mais sobressai é sem dúvida a sustentabilidade e/ou a eco-arquitectura. Face a esta realidade, abordaremos então a ecologia como uma disciplina científica da arquitectura. Quer-se reconhecer o papel central da ecologia e os fins da ciência, especialmente aquele que atende pelo nome de “novo paradigma”, de modo a mostrar à arquitectura a maneira pela qual a continuidade e a inovação se podem finalmente unir.4 É devido a esta inovação e avanços tecnológicos, que a arquitectura e o Homem parecem esquecer-se da dependência da Natureza.


The term “natural” certainly could not be used while nature was not understood and presented as an object of knowledge and experience, defend Ábalos and Herreros. In “Nature and Architecture”, Paolo Portoghesi refers the differences and similarities between the natural forms and architectural forms, but also draws attention to the comparisons between natural forms and ideas that over the centuries have marked the architecture. There was always a distinction between “natural” and “artificial”, as well as between science of architecture and art of architecture. Science communicates notions of quantity, verifiable by number and universal reading. On the other hand, the art communicates concepts of value and fantasy. This is how Jacinto Rodrigues quotes Arne Klingborg saying that the profound experience of nature is expressed in artist and poets, seeking images or
“beings of nature that manifest themselves ,as we know now, through the tales of folklore and ancient poetry.”Admittedly, the architecture is affected by issues that fill the pages of newspapers and broadcast media in this discipline. One theme that most emerges is, undoubtedly, the sustainability and / or eco-architecture. In this framework, we will discuss the ecology as a scientific discipline of architecture. We want to recognize the central role of ecology and the purposes of science, especially the one that goes by the name of “new paradigm” in order to show to architecture how continuity and innovation can finally be together. It is because of this innovation and technological advances that architecture and man seem to forget the dependence of Nature.


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