A cidade e a memória

Autores

  • João Manuel da Silva Rocha

Resumo

A cidade contemporânea está em crise, até aqui nada de novo, o uso deste termo foi-se transformando pelo simples facto do seu continuado uso e abuso, que provocou um consequente desgaste do significado do termo, tendo consequências curiosas. Uma é a banalização da palavra, a outra é a desculpabilização do acto. De repente chegou ao processo de desenhar e pensar cidade uma atitude muitas vezes também presente na sociedade em geral, em que a culpa “é sempre dos outros”, ou ainda melhor, “do sistema”. Esta questão ressurge complementarmente à reedição de uns quantos textos de cidade do arquitecto Rem Koolhaas1, que revisitei passados, alguns deles, anos que veio recentrar a questão nessa atitude, consciente, mas também desculpabilizante que os diversos agentes têm sobre a cidade, não só enquanto actores mas também construtores de cidade. E aqui os arquitectos não se podem demitir quer da sua responsabilidade, ou ainda assumindo uma fatalidade do sistema, legitimarem todo um processo de intervenção na cidade, precisamente sobre os mesmos processos, ou efeitos, que noutras sedes criticam. Não estou especificamente a pensar no arquitecto Rem Koolhaas, nem tão pouco a querer diminuir a sua relevância na história contemporânea da arquitectura assim como da cidade, embora também se lhe possa dirigir pelo menos em parte esta leitura. Pois estes escritos, para além de constituírem um processo de reflexão sobre a arquitectura e a cidade, foram também marcos na sua obra pois enquadram um processo auto-reflexo, que por um lado caracteriza um olhar critico sobre a cidade e a arquitectura e simultaneamente como marcos da sua produção prática. 

Palavras-chave:

Cidade

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Publicado

2014-10-30

Como Citar

Rocha, J. M. da S. (2014). A cidade e a memória. Sebentas d’Arquitectura, (6), 59–62. Obtido de http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/sa/article/view/1834

Edição

Secção

Artigos