É bom ter, ou não ter, amigos durante a adolescência? Eis a questão, sempre atual!

Gina Tomé, Inês Camacho, Fábio Botelho Guedes, António Borges, Margarida Gaspar de Matos

Resumo


O objetivo do presente estudo foi analisar a importância dos amigos no desenvolvimento de competências sociais e no bem-estar dos adolescentes portugueses. Participaram no estudo 5695 adolescentes portugueses, com média de idades de 15,46 anos (DP=1,80), que frequentavam o 8º,10º e 12º ano de escolaridade em Portugal continental, no âmbito do estudo do Health Behaviour in School aged Children (HBSC). Foram realizadas comparações de médias (ANOVA) entre os adolescentes que não têm amigos e os que têm um ou mais amigos e um modelo de regressão logística para analisar a condição de não ter amigos. Os adolescentes que têm um ou mais amigos revelaram médias superiores para a satisfação com a vida, competências sociais, relação com a família e tempo de ecrã. Por outro lado, os adolescentes que não têm amigos têm média superior de alienação social e sintomas psicológicos. O impacto negativo de não ter amigos ao longo da adolescência é evidente e influencia o desenvolvimento de competências socias e a relação dos adolescentes com a família. Prevenir o isolamento social e as suas consequências é essencial, assim como, incluir os pares nos programas desenvolvidos. Os resultados encontrados salientam o papel essencial dos amigos para o bem-estar, para o desenvolvimento de competências sociais e para o relacionamento dos adolescentes com a família.


The main of the present study was to analyse the importance of friends in the development of social skills and in the adolescent’s wellbeing. A total of 5695 Portuguese adolescents with a mean age of 15.46 (SD=1.80), attending the 8th, 10th and 12th years of schooling in mainland Portugal were included in the Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) study. Comparisons of means (ANOVA) were performed between adolescents who do not have friends and those who have one or more friends and a logistic regression model to analyse the condition of having no friends. Adolescents who have one or more friends showed higher averages for life satisfaction, social skills, family relationship and screen time. On the other hand, adolescents who do not have friends have a higher average of social alienation and psychological symptoms. The negative impact of not having friends during adolescence is evident and influences the development of social skills and the relation of the adolescents with the family. Preventing social isolation and its consequences is essential, as is the inclusion of peers in developed programs. The results highlight the essential role of friends for well-being, for the development of social skills and the relationship of adolescents with family.

 

Palavras chave / Keywords

Amigos, Competências sociais, Bem-estar.

Friends, Social skills, Wellbeing.


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