Autoeficácia e outras questões psicossociais: como se sentem os adolescentes portugueses

Anabela Santos, Celeste Simões, Paula Lebre, Margarida Gaspar de Matos

Resumo


O objetivo do estudo foi analisar o nível de autoeficácia, variáveis relacionadas com o envolvimento escolar e a satisfação com a vida dos adolescentes portugueses. Participaram neste estudo 5695 alunos dos 8º, 10º e 12º anos de escolaridade, participantes do estudo HBSC 2018, com uma média de idades de 15.5 anos (DP=1.8), 53.9% do género feminino. Os participantes preencheram um subescala de autoeficácia, responderam a um conjunto de questões relacionadas com o envolvimento escolar e satisfação com a vida. Os rapazes apresentam valores superiores em termos de autoeficácia e satisfação com a vida, contudo, valores superiores de pressão parental para ter boas notas e menor satisfação com a escola foram observados. Tanto rapazes como meninas se percecionam como tendo pouco sucesso na escola e não se observam diferenças ao longo dos anos de escolaridade. Os alunos do 12º são aqueles que reportam mais pressão com os trabalhos de casa, maior pressão com a avaliação e mais matéria, embora sejam os alunos do 8º os que sentem as matérias como mais difíceis e mais pressão dos pais. A satisfação com a escola e com a vida também diminui ao longo dos anos. Os resultados obtidos salientam as relações entre autoeficácia, envolvimento escolar e satisfação com a vida, evidenciando áreas de intervenção chave para uma educação de qualidade. Os adolescentes portugueses apresentam, de um modo geral, bons níveis de satisfação com a vida. No entanto, o sucesso escolar percebido e a satisfação com a escola apresentam valores reduzidos. Destaca-se a importância de programas de aprendizagem sociemocional que promovam a autoeficácia, estratégias para regulação de ansiedade face às dificuldades sentidas na escola.


The goal of this study was to analyze the level of self-efficacy, school engagement related variables and life satisfaction of Portuguese adolescents. A total of 5695 adolescents attending the 8th, 9th and 12th years of schooling enrolled in the HBSC 2018 study. with a mean age of 15.5 years old (SD = 1.8), 53.9% female. Participants completed a self-efficacy subscale and answered a range of issues related to school engagement and life satisfaction. Boys presented higher values in terms of self-efficacy and life satisfaction, however, higher values of parental pressure to have good grades and lower school satisfaction were observed. Both boys and girls are perceived as having little success in school and no differences are observed over the school years. Students in 12th grade are those who report more pressure with homework, more pressure with assessment and more subject amount of information to learn, although it is the 8th graders who feel more difficulty in school subjects and more pressure from parents. Life and school satisfaction also decline over the school years. The results obtained highlight the relationships between self-efficacy, school engagement and achievement and life satisfaction, pointing out key intervention areas for quality education. Portuguese adolescents present, in general, good levels of life satisfaction. However, the perceived school achievement and school satisfaction had reduced values. This study emphasizes the importance of socioemotional learning programs that can promote self-efficacy, emotional regulation strategies for dealing with anxiety in the face of the difficulties experienced in school.


Palavras-chave / Keywords

Adolescência, Autoeficácia, Envolvimento escolar, Género, Sucesso escolar.

Adolescence, Gender, Self-efficacy, School engagement, School achievement.


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