A influência de fatores sociodemográficos na expressão de comportamentos autolesivos não suicidários (NSSI) em adolescentes portugueses | The influence of sociodemographic factors in the expression of non-suicidal self-injury behaviors (NSSI) of portuguese adolescents

Luiza Nobre-Lima, Alexandra Barreira, Paula Castilho

Resumo


A manifestação de comportamentos autolesivos não suicidários (NSSI) tem vindo a aumentar entre os adolescentes. Pretende-se com esta investigação identificar a frequência e os tipos de autodano praticados por adolescentes portugueses e analisar a influência de variáveis sociodemográficas na prática deste comportamento. Foi utilizada uma amostra de 361 adolescentes (46% raparigas; 54% rapazes), com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos de idade (M=15.25; DP=1.73), que responderam a um questionário sociodemográfico e ao Questionário de Impulso, Autodano e Ideação Suicida para Adolescentes (QIAIS-A). Cerca de 34,5% dos adolescentes já exibiram comportamentos NSSI que se manifestam, principalmente, através da prática de comportamentos de risco. Não foram encontradas diferenças nos comportamentos NSSI em função do meio ambiente de residência ou do nível socioeconómico. As raparigas praticam mais autodano propriamente dito. Os adolescentes que se encontram a meio e no fim da adolescência automutilam-se mais do que os que se encontram no início desta fase e o comportamento autolesivo tem maior expressão nos adolescentes do ensino secundário do que nos do 3ºciclo de escolaridade. A ausência de influência da maioria das variáveis sociodemográficas pode indiciar que o comportamento autolesivo na adolescência está mais associado a variáveis de natureza psicológica. No geral, os dados suscitam preocupação quanto à frequência dos comportamentos autolesivos entre os adolescentes. Será relevante prosseguir com a investigação que elucide quanto à natureza dos fatores que mais influenciam este comportamento, bem como será pertinente analisar as teorias implícitas dos próprios adolescentes acerca do que constitui um comportamento autolesivo não suicidário.


Non-suicidal self-injury behaviors has known a growing prevalence among adolescents. This research aims to identify the frequency and the types of self-injury undertaken by adolescents and analyze the influence of sociodemographic variables on the practice of this behavior. The sample is composed by 361 adolescents (46% girls; 54% boys), aged between 12 and 18 years old (M=15.25; SD=1.73). They answered to a sociodemographic questionnaire and to the Impulse, Self-injury and Suicidal Ideation Questionnaire for Adolescents. Results showed that 34.5% of the adolescents had already injured themselves, mainly through the exhibition of risk behaviors. No differences were found in the practice of non-suicidal self-injury according to place of residence and socioeconomic status. Girls exhibit more self-injury using their own body. Adolescents from the middle and end of adolescence injure themselves more than those that are beginning this developmental phase. Those who are in secondary school also practice more self-injury than those who still are in elementary school. The absence of influence of most of the sociodemographic variables may suggest that self-injury is more associated with psychological variables. In general, data raises concern about the frequency with which these self-injury behaviors are exhibited. It will be relevant to go further with research that elucidates about the nature of the factors that most influence non-suicidal self-injury behaviors (NSSI). It would also be pertinent to analyze the implicit theories adolescents have about what constitutes a NSSI behavior.

 

Palavras-chave /Keywords

Autodano não suicidário, Adolescentes, Variáveis sociodemográficas.

Non-suicidal self-injury, Adolescents, Sociodemographic variables.


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