Institucionalização, regulação emocional e satisfação com a vida numa amostra de adolescentes portugueses

Susana Neves, Emilía Martins, Cátia Magalhães, Rosina Fernandes, Francisco Mendes

Resumo


A literatura evidencia o papel da capacidade de regulação emocional no ajustamento e bem-estar dos indivíduos, i.e., para facilitar a ação nas diferentes situações de vida, de modo adaptativo. Há referências a que crianças e adolescentes institucionalizados mostram falhas na capacidade de regulação emocional que radicam na relação com os progenitores, sobretudo em situações de maus tratos. Analisou-se a regulação emocional e satisfação com a vida em função das variáveis institucionalização, género e idade. Participaram no estudo 47 jovens institucionalizados e não institucionalizados, de ambos os sexos, tendo-se utilizado a versão portuguesa das escalas ERICA e SWLS para avaliar a capacidade de regulação emocional e a satisfação com a vida, respetivamente. A satisfação com a vida não apresentou diferenças significativas em função das variáveis independentes, com médias de 3,17 (±0,85) nos masculinos e de 3,49 (±0,96) nos femininos; de 3,29 (±0,90) nos institucionalizados e 3,33 (±0,92) nos não institucionalizados. Não se registaram correlações significativas com a idade. Quanto à regulação emocional, evidenciaram-se diferenças estatisticamente significativas em função do género, na escala total (U=165,000; p=.024) e subescala Controlo Emocional (U=177,000; p=.045), favoráveis às raparigas, o que lhes confere uma melhor regulação e controlo emocional, não se evidenciando discriminatória a variável institucionalização (média de 3,40±0,62 nos institucionalizados e de 3,17±0,28 nos não institucionalizados). Quanto à idade, não se registam correlações significativas. Os resultados, dissonantes com a literatura na variável institucionalização, exigem um aprofundamento do estudo, quer em termos qualitativos, quer quantitativos.


Literature has highlighted the role of the emotional regulation ability in individual well-being and adjustment, to enhance in an adaptive way different life situations. There is evidence that institutionalized children and adolescents manifest a lack of emotional regulation ability based on the relationship with parents, especially in cases of abuse. The aim was to analyze emotional regulation and life satisfaction depending on institutionalization variable, and also age and gender. Forty-seven institutionalized and non-institutionalized youths from both sexes participated in the study. It was used the Portuguese versions of ERICA and SWLS scales to evaluate emotional regulation ability and life satisfaction respectively. Life satisfaction did not present statistically significant differences by independent variables with averages of 3,17 (±0,85) in the case of males, and 3,29 (±0,90) in the case of females; 3,29 (±0,90) in case of institutionalization and 3,33 (±0,92) in non-institutionalized cases. Significant correlations with age have not been found. Relative to emotional regulation, there were significant statistical differences in gender variable, both in the global scale (U=165,000; p=.024) and emotional control subscale (U= 177,000; p=.045), favorable for girls which confers them a higher emotional control and regulation, not manifesting as discriminatory the institutionalization variable (mean of 3,40±0,62 in institutionalized cases and 3,17±0,28 in non-institutionalized cases). Relative to age there have not been found significant correlations. These results, dissonant with literature in the institutionalization variable, request more research, both in qualitative and quantitative aspects.


Palavras-chave / Keywords

Crianças e jovens, Regulação emocional, Satisfação com a vida, Institucionalização.

Children and adolescents, Emotional regulation, Life satisfactio, Institutionalization.


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