Sentimento de Desamparo…” – risco psicossocial em crianças com doença crónica oriundas dos PALOP

Sandra Teixeira, Susana Ferreira da Costa

Resumo


Face a uma doença crónica as crianças/adolescentes e suas famílias vivem alterações importantes nas suas vidas, de forma a se adaptarem a uma nova realidade, a qual muitas vezes lhes é estranha. O corpo da criança/adolescente passa a ser sentido como “um lugar de sofrimento”, surgem fantasias, sentimentos de culpabilidade, temáticas relacionadas com a morte, medo e angústia face aos tratamentos e à hospitalização. Tudo isto irá interferir com o contexto psicossocial da criança. Se nas famílias que residem em Portugal há alterações muito significativas, naquelas que deixam os seus países (PALOP) por impossibilidade de tratamento e vêm para Portugal na esperança de um diagnóstico, tratamento e cura, surgem outros factores psicológicos. Como é vivida a separação do seu país, da sua cultura, dos seus amigos e dos seus familiares (muitas vezes crianças ainda pequenas que se vêem privadas do(a) pai/mãe que procuram no nosso país uma cura para a doença de um filho)? Quais os seus sentimentos em relação a uma realidade diferente daquela que esperavam (estadias longas, se não para sempre…)? Como se lida com os sentimentos de desprotecção, tristeza, desamparo, zanga e impotência? Assim, e de acordo com a nossa experiência clínica, deparamo-nos com inúmeros casos, em que a doença, o desenraizamento cultural, a separação do seu ambiente e contexto familiar, as dificuldades de integração e as condições muitas vezes precárias em que vivem podem levar a situações de grande risco psicossocial. Este artigo será uma reflexão, sobre estes aspectos, ilustrado por um caso clínico.


Faced with a chronic illness children/adolescents and their families feel important changes in their lives, in order to adapt to a new reality, which is often felt as strange. The body of the child/adolescent becomes “a place of suffering”, and fantasies, feelings of guilt, themes related to death, fear and anguish related to treatment and hospitalization often emerge. All this will interfere with the psychosocial context of the child. The families living in Portugal face significant changes. For those who leave their countries (PALOP) because of the lack of treatment and come to Portugal in the hope of a diagnosis, treatment and cure, there are other psychological factors. How do they experience the separation of their country, their culture, their friends and their relatives (often small children who are deprived of one of their parents who are seeking in our country for a cure for his/her child)? What are their feelings about a reality that is very different from that they were expecting (long stays, if not forever ...)? How do they deal with the feelings of sadness, helplessness, anger and impotence? In our clinical experience, we are faced with numerous cases in which the disease, the cultural uprooting, the separation from their environment and family background, the difficulties of integration and often the precarious conditions in which they live, can lead to situations of great psychosocial risk. This paper will be a reflection on these aspects, based on a clinical illustration. 


Palavras-chave / Keywords

Doença crónica, Criança/adolescente, Família, Emigração.

Chronic illness, Child/adolescent, Family, Emigration.


Texto Completo:

PDF

Apontadores

  • Não há apontadores.


Fundação Minerva - Cultura - Ensino e Investigação Científica / Universidades Lusíada, 2004-2017
Serviços de Informação, Documentação e Internet
Rua da Junqueira, 188-198 | 1349-001 Lisboa | Tel. +351 213 611 617 | Fax +351 213 638 307 | E-mail: revistas@lis.ulusiada.pt