Estudo comparativo do efeito das experiências precoces adversas na psicopatologia entre mulheres adolescentes e adultas : o papel mediador do auto-criticismo

Alexandra Dinis, Ana Xavier, José Pinto-Gouveia, Paula Castilho, Marina Cunha

Resumo


Na literatura está bem documentado o papel das experiências adversas precoces na psicopatologia. Apesar de ser conhecido o papel mediador do auto-criticismo associado à psicopatologia na adultez, pouco ainda se sabe acerca do seu efeito na adolescência. Além disso, parece que desde a adolescência o sexo feminino é mais vulnerável ao desenvolvimento da psicopatologia. O objetivo deste estudo foi testar se o impacto das experiências negativas com os pais na sintomatologia depressiva é mediado através do auto-criticismo em sujeitos do sexo feminino durante a adolescência e idade adulta. Este estudo inclui duas amostras: 50 raparigas adolescentes (12-17 anos de idade; M = 14.90, DP = 1.49) e 44 mulheres adultas da população geral (18-56 anos de idade; M = 30.95, DP = 10.01). Ambas as amostras preencheram questionários de autorresposta que avaliavam a recordação de experiências de ameaça e subordinação na infância, as formas do auto-criticismo e a sintomatologia depressiva. Os resultados do teste t-Student mostraram que as raparigas adolescentes apresentam pontuações mais elevadas nas formas eu inadequado e eu detestado do autocriticismo e nos sintomas de depressão do que as mulheres adultas. O modelo de mediação através de Path Analysis indica que o modelo total explica 64% e 31% da sintomatologia depressiva para as raparigas adolescentes e para as mulheres adultas, respetivamente. A análise multigrupos evidencia que o modelo é equivalente para ambos os grupos. Verifica-se um efeito indireto das experiências de submissão para a depressão através do eu-inadequado. Apesar de o modelo estrutural ser idêntico para ambas as amostras, verifica-se que a força das associações é mais robusta na adolescência.


The role of early adverse experiences in psychopathology is well documented in literature. Previous research suggests a mediator role of selfcriticism and its link to psychopathology in adulthood. However, its effect in adolescence is unclear. Moreover, for girls, the transition into adolescence is a vulnerable period for the development of psychopathology. This study aims to test whether the impact of early negative experiences with parents in depressive symptoms occurs through self-criticism in female adolescents and adults. The current study includes two samples: 50 female adolescents and 44 women from general population. Female adolescents are aged between 12 and 17 years old (M = 14.90, SD = 1.49); and women are aged between 18 and 56 years old (M = 30.95, SD = 1.10). Both samples filled out self-report questionnaires that assess the recall of threat and submissiveness experiences in childhood, forms of self-criticism and depressive symptoms. Results from Student’s t-test showed that female adolescents have more levels of inadequate self, hated self, and depressive symptoms than female adults. The mediation model through Path Analysis showed that the full model accounted for 64% and 31% of depressive symptoms for female adolescents and adults, respectively. Multi-group analysis indicated the invariance of the structural model for both groups. There was an indirect effect of submissiveness experiences in depression through inadequate self. Although the structural model is equivalent for both samples, the strength of associations is more robust in adolescence.


Palavras-chave / Keywords

Adolescência, Adultez, Auto-criticismo, Depressão, Experiências precoces negativas.

Adolescence, Adulthood, Depression, Early negative experiences, Self-criticism.


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