Hiperatividade/défice de atenção : um olhar psicodinâmico

José Sargento

Resumo


A intervenção psicofarmacológica e a terapia cognitivocomportamental são as formas de intervenção mais comuns na PH/DA, mas os seus efeitos parecem, em algumas circunstâncias, desvanecer-se com o fim do tratamento. Procurou, a partir da revisão crítica da literatura, esboçar-se um olhar psicodinâmico da conceptualização e intervenção na PH/DA. Os modelos psicodinâmicos tendem a olhar para a PHDA como uma constelação de sintomas que sinalizam um sofrimento da criança e da família, podendo representar uma reação a acontecimentos stressantes, funcionar como uma defesa contra a depressão e angústias de abandono, ou estar presentes nas pré-psicoses e psicoses da criança. Os sintomas tendem a tornar-se rígidos em crianças com dificuldades em organizar e integrar as suas experiências emocionais, muitas vezes em função de distorções na vinculação e nas relações de objeto. A PHDA surge, assim, como a única forma da criança expressar a angústia que não encontra espaço de contenção e mentalização na relação. Neste contexto, a intervenção na PHDA deverá incluir a psicoterapia com a criança - enquanto espaço contentor de construção de competências relacionais e de mentalização – e um trabalho clínico com as famílias. A medicação e a TC têm demonstrado uma relativa eficácia na PHDA. Todavia, estes tipos de intervenção parecem ver desvanecidos os seus efeitos ao longo do tempo. Uma leitura psicodinâmica da criança e da família, mais centrada nas relações e no funcionamento mental subjacente aos sintomas, pode, neste contexto, ser muito útil na compreensão e intervenção com crianças com PHDA.


The medication is the most common treatment of ADHD, but its effects tend to fade with the end of the treatment. Also the behavioral therapy and psychoeducational parent and classroom interventions, although they bring important gains, seem to not always be effective in the medium and long term. From the critical review of the literature collected, we thought the conceptualization and intervention on hyperactivity with a psychodynamic perspective. The psychodynamic models tend to conceptualize ADHD as a set of symptoms that signal a suffering of the child and the family. It may represent a reaction to stressful events, act as a defense against depression and anaclitic anxiety or be present in pre-psychosis and psychosis in children. ADHD tend to become rigid in children with difficulty to organize and integrate their emotional experiences, often due to distortions in attachment and object relations. ADHD presents, in this context, as the only way the child found to express the anxiety that cannot find space of containing and mentalization in the relationship. In this context, intervention should include psychotherapy with the child- as a space of containment and construction of relational and mentalization skills – and a clinical work with families. Medication and CT have shown relative efficacy on ADHD. However, the effects of these types of intervention seem to fade over time. In this context, a Psychodynamics approach, more focused on relationships and mental functioning underlying the symptoms, can be very useful to understand and intervene with children with ADHD.


Palavras-chave / Keywords

PH/DA, Psicodinâmica, Psicoterapia.

ADHD, Psychodynamics, Psychotherapy.


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