Fundamentos filosóficos do romantismo

Autores

  • Luís Manuel Lourenço Serro

Resumo

Nas últimas décadas do séc. XVIII e inícios do séc. XIX, estende-se por toda a Europa um movimento artístico e filosófico que ficou conhecido por Romantismo.

Opondo-se ao Racionalismo e ao Iluminismo, que se caracterizavam por conceber a razão enquanto força finita e objectiva, o Romantismo toma esta relação omnipotente pela força infinita do Eu, que se torna substância do mundo. Trata-se do triunfo do sujeito que se auto-revela através do sentimento.

Três filósofos são-nos essenciais à compreensão deste movimento: Fichte, Schelling, e Hegel.

Fichte terá como princípio da sua filosofia, identificar a substância do mundo como acção infinita do Eu.

Esta perspectiva encontrará novas interpretações com Schelling, diferenciando-se na medida em que, na relação sujeito/objecto, este afirma a completa união dos dois num conceito de Absoluto, identidade plena de ambos.

Hegel virá reflectir sobre a oposição do sujeito e do objecto, do espírito e da natureza, que se separam na sua concretização (o finito), e unem-se na sua universalidade (o infinito). Na sua obra trata de uma história da filosofia da arte.

Dado este conceito de acção infinita do Eu, o Romantismo assume quatro características fundamentais:

O optimismo em que cada facto deve ser o que é, e portanto a evolução é sempre positiva, pois toda a acção integrada no todo se auto-justifica.

O providencialismo no qual reside a ideia de que todos os factos podem ter uma consciência temporal, embora possam existir fora dele.

O tradicionalismo, intimamente ligado ao providencialismo, assumindo que na história tudo evolui positivamente, tudo se concretiza na infinita acção da razão, e portanto valida a recuperação de todos os momentos do passado em aparência e essência.

E por fim, o titanismo, cuja expressão artística se consubstanciou no sublime, o sentimento estético de infinitude que nos liberta da nossa condição finita.

Palavras-chave:

Romantismo, Fichte, Schelling, Hegel, Sublime

Biografia Autor

Luís Manuel Lourenço Serro

Nascido em Lisboa a 19 de Outubro de 1953, licenciou-se em Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1979. Esteve então integrado na equipa de projetos da Profabril de 1979 a 1983, tendo estado ao serviço desta mesma firma, um ano em Angola. Ingressa como docente da Universidade Lusíada em 1989, onde lecionou as disciplinas de Desenho, Geometria e, Geometria Projetiva tendo no ano de 1998 concluído o curso de Mestrado em Arquitetura, nesta mesma Universidade. Paralelamente, em atividade liberal, tem uma vasta obra construída, sobretudo no campo da ação social, tendo também desenvolvido diversos projetos do âmbito urbanístico, turístico e residencial. Em 2009 conclui o curso de doutoramento em Teoria da Arquitetura, pela Universidade Lusíada. Sobre o título “Para um entendimento do gótico meridional”.

Referências

ABBAGNANO, Nicolas. História da Filosofia. Vol. VIII

ABBAGNANO, Nicolas. História da Filosofia. Vol. IX

ARISTÓTELES. Metafísica.

FICHTE. Doutrina da ciência.

HEGEL. Estética : A ideia e o ideal.

HEGEL. Filosofia da História.

PULS, Maurício. Arquitetura e filosofia. Annablume Editora.

SCHELLING. Sistema do idealismo transcendente.

VERCELLONE, Federico. A estética do séc. XIX.

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Publicado

2013-10-03

Como Citar

Serro, L. M. L. (2013). Fundamentos filosóficos do romantismo. Revista Arquitectura Lusíada, (3), 133–146. Obtido de http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/ral/article/view/234

Edição

Secção

Artigos