Reabilitação do património, cidade do Porto estratégias e factos - Rua (S.ta Catarina) das Flores

Autores

  • Jorge Ferreira Barbosa

Resumo

A requalificação do património arquitetónico e histórico reveste-se de interesses fundamentais para a cultura de um povo, é sedimentado pelo tempo oferecendo extratos de memórias, vivências e registos sulcados no íntimo das pessoas que o habitam, marcados nas “crónicas de pedra” mencionadas por Viollet–Le-Duc, formam um contexto na realidade construída por épocas na Rua das Flores. No entendimento desta rua, quem esteve presente na estratificação do seu património, melhor sente a essência da cidade medieval, os seus atributos históricos, sociais, políticos, económicos e arquitetónicos, assim como, nos seus atribulados episódios de um passado próximo, ou atual, com as promessas de “melhor” futuro. Assim, é possível encontrar erros e virtudes nas lógicas implementadas neste cenário urbano medieval que faz questão de se impor intemporal, quer estar presente, ativo e,… com pessoas! Neste contexto, investigou-se o seu passado, entende-se a sua essência, lê-se e questiona-se o presente, propondo ajustes e tentativas de minimização da presença de “feridas abertas” que teimam em ferir o seu centro histórico, as suas memórias e o seu carácter. Tenta-se formar um pequeno contributo de consolidação da sua autenticidade para reabilitar um cenário histórico que tem muito para oferecer e do qual necessitamos.

Palavras-chave:

Reabilitação, Património, Rua e Identidade urbana

Biografia Autor

Jorge Ferreira Barbosa

Natural de Vila Nova de Gaia, Doutoramento em Arquitetura na vertente do património arquitetónico e histórico pela Universidade de Sevilha. Investigador do I&D e membro do Conselho Científico do CITAD, professor auxiliar nas faculdades de Arquitetura e Artes da Universidade Lusíada - Norte, arquiteto com projetos licenciados e construídos, docente, desde 1996, com experiência de regência nas Unidades Curriculares tais como: Arquitetura, Projeto, Urbanismo, Planeamento Regional e Urbano, Edificações, Ambiente e Sustentabilidade na Arquitetura. Presença como júri a trabalhos de investigação científica com defesa pública, quer como arguente, orientador ou presidente aos mesmos. Realizou e concluiu trabalhos de investigação científica, sobre as “Aldeias Históricas de Portugal”, 2000-02, sob a orientação do Prof. Arquiteto Fernando Távora.

Máster em “Gestión del Patrimonio Histórico” - Universidade de Salamanca, Espanha, 2000, Bolseiro da Fundação Rei Afonso Henriques, aqui, como arquiteto convidado e responsável na realização de trabalhos inscritos no projeto: “Identificación, Evaluación y Análisis de Recursos del Património Histórico en el Corredor del Rio Duero”, Dep. de Historia Medieval, Moderna y Contemporánea da Universidade de Salamanca, no âmbito do “Programa Terra”, com trabalhos: “La catalogación de la Arquitectura Modernista (Arte Nova) y Arquitetura Racionalista (Estado Novo), de la ciudad de Oporto y zona metropolitana”.

Participação como moderador ou orador em congressos, presente no desenvolvimento de estudos e comunicações sobre a temática do património arquitetónico e histórico com publicação de artigos nesta área, é autor do livro “O Património em reflexão - do lugar, da qualidade, ... do valor” (no prelo).

Referências

ABREU, Maurício de Almeida; “Sobre a memória das cidades”, Revista da Faculdade de letras – Geografia I. Porto. Volume XIV, 1998.

AFONSO, J. F.; A Rua das Flores do Séc. XVI: elementos para a história urbana do Porto quinhentista; Ed.: FAUP, 2000.

AGUIAR, José; Planear e Projectar a Conservação da Cor na Cidade Histórica: experiências havidas e problemas que subsistem, in Comunicação ao III ENCORE, Lisboa, LNEC, 2003.

ALVES, Joaquim Jaime B. Ferreira; O Porto no tempo dos Almadas, Vol. I, C.M.P., Porto, 1988.

ANDRADE, Amélia Aguiar; Horizontes Urbanos Medievais. Lisboa: Livros Horizonte, 2003.

CARDOSO, António; Estação S. Bento, Marques da Silva, Porto, Instituto Arquitecto José Marques da Silva, 2007.

CASTELO BRANCO, Camilo (trad.); A Formosa Lusitania / por Catharina Carlota Lady Jackson;

versão do inglês, prefaciada e anotada por Camilo Castelo Branco. Porto: Livraria Portuense, 121, Rua do Almada,1877.

CASTELO BRANCO, Camilo; A Filha do Arcediago, Ed.: Publicações Europa-América; Coleção: Livros de Bolso / Europa-América, Porto, 2000.

CHOAY, Françoise; A Alegoria do Património, Ed.: 70, Lisboa, 2000. Título original: L`Allégorie du Patrimoine, Éditions du Seuil, Paris, 1982, 1996 e 1999.

COSTA, Agostinho Rebello da (?-1791); Descrição topográfica, e histórica da Cidade do Porto. Que contém a sua origem, situaçaõ, e antiguidades: a magnificência dos seus templos. mosteiros, hospitais, ruas, praças, edificios, e fontes,…; Porto: na Officina de António Alvarez Ribeiro, 1789.

CRUARB - Projecto Municipal para a renovação urbana do centro histórico do Porto. 1ªEdição. Porto Património Mundial II Processo de Candidatura do Centro histórico do Porto à Unesco. Ed.: Câmara Municipal do Porto, 1998.

CRUARB - Projecto Municipal para a renovação urbana do centro histórico do Porto. 1ªEdição. Porto Património Mundial III CRUARB 25 anos de reabilitação urbana - Intervenções de 1974 a 2000. Ed.: Câmara Municipal do Porto, 2000.

DORDIO, Paulo; “Projecto de estudo histórico e arqueológico da Sé do Porto – o cemitério”, Património – Estudos. Lisboa. Nº 8 (2005).

FERRÃO, Bernardo; Projecto e transformação urbana do Porto na época dos Almadas 1758/1813, FAUP, 1989.

FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime; “Da Construção à conclusão do Paço Episcopal do Porto”, Monumentos. Lisboa. Nº14 (Março 2001).

HALBWACHS, Maurice; A memória colectiva. São Paulo: Vértice, 1990.

MELO, Arnaldo Sousa; Trabalho e Produção em Portugal na Idade Média: O Porto, c. 1320 – c. 1415 / Travail et Production au Portugal au Moyen Âge: Porto, c. 1320- c. 1415, 2 volumes. Braga e Paris: Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho e École des Hautes Études en Sciences Sociales, tese de doutoramento, 2009.

OLIVEIRA, J. M. Pereira de; O Espaço Urbano do Porto: Condições Naturais e Desenvolvimento. Coimbra: Instituto da Alta Cultura – Centro de Estudos geográficos (anexo à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), 1973.

PIMENTEL, Alberto; O Porto na Berlinda, Memórias D´uma Família Portuense; Livraria Internacional de Ernesto Chardron, Casa Editora, Porto, 1894.

PINTO, Maria Helena Mendes; José Francisco de Paiva (1744-1824), Lisboa: Museu Nacional de Arte Antiga, 1973.

Porto Vivo, SRU; Revitalização Urbana e Social da Baixa do Porto: Masterplan, Porto, ed.: Porto Vivo, SRU, 2005.

Porto Vivo, SRU; Eixo Mouzinho / Flores – Território do Recolhimento e do Mercadejar; Ed.: Porto Vivo, SRU, S.A., 2012.

RAMOS, Luís A. de Oliveira; História do Porto. Porto, 2ª Ed.: Porto Editora, 1995.

SANTOS, Maria Helena P.; A Rua Nova do Porto (1395-1520): sociedade, construção e urbanismo. Porto: FLUP, 2010 (dissertação de mestrado, policopiada).

SETA, Cesare de; “Las murallas, símbolo de la ciudad”. In Seta, Cesare de e Le Goff, Jacques (dir.) - La ciudad y las murallas. Madrid: Ediciones Cátedra, 1991.

SOUSA, Armindo de; “Tempos Medievais”. In Ramos, L. A. Oliveira (dir.) História do Porto. Porto: Ponte Editora, 1994.

SOUSA, Frei Luís de; História de S. Domingos, , Lello & Irmão, Porto, 1977.

SOUSA, Nuno Tasso de; «Estação de S. Bento» in Guia de Arquitectura Moderna Porto 1901/2001, Porto, Ordem dos Arquitectos SRN-Civilização, 2001.

TEIXEIRA, Helena R. L.; Porto, 1114-1518. A construção da cidade medieval. Porto: FLUP, 2010, (dissertação de mestrado, policopiada).

Downloads

Publicado

2016-05-13

Como Citar

Barbosa, J. F. (2016). Reabilitação do património, cidade do Porto estratégias e factos - Rua (S.ta Catarina) das Flores. Revista Arquitectura Lusíada, (7), 153–206. Obtido de http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/ral/article/view/2338

Edição

Secção

Artigos