O conceito hegeliano da história

Luís Manuel Lourenço Sêrro

Resumo


Como época, o Romantismo manifesta-se pluralmente na diversidade concreta da vida dos povos e das civilizações.

Foi com intuito de o compreender mais profundamente que nos debruçamos sobre o conceito Hegliano de História, não com uma atitude critica (que seria sempre subjectiva) mas como uma dissertação sobre a obra em si mesma; pois se a filosofia é pensamento, a filosofia da História é pensá-la nas suas manifestações objetivas.

Este artigo expõe e acompanha pela análise este pensamento.

Para Hegel a natureza é uma predicação da ideia que se manifesta na sua determinação, ou seja o espirito infinito, pela sua infinita atividade determina-se no finito.

É através destas determinações que a Ideia se revela a si mesma e se torna autoconsciente.

Porém, ela não se determina ao acaso, mas segundo uma ordem concreta e leis precisas. Estas leis e esta ordem são a Providência Divina que se revela ao Homem, e este deve tornalas conscientes de si mesmo, descobrindo-as.

Tal é o fim último do Homem.

Mas a natureza adquire duas formas: o mundo natural, com as suas leis físicas, e o mundo espiritual, com as determinações próprias do espirito: a religião, a arte, a filosofia, o direito, etc.. que só se podem realizar no Estado, pois elas constituem no seu conjunto a eticidade dos povos.

Todas estas determinações da Ideia são a matéria da História que ela mesmo produz, e porque caem no tempo, que é a negatividade do presente, elas vivem sem futuro e sem passado num eterno presente.

Tal é o tema central da filosofia de Hegel: a dissolução do finito no infinito, ou expresso de outra maneira, o que é racional é real e o que é real é racional.

Por isso a filosofia da História, não só se assume como um conjunto de todo o pensamento de Hegel, como é a realização em acto de tudo o que o homem é, como é, e como deve ser, num processo continuo que reflete o devir da ideia.


As an epoch, Romanticism plurally manifests itself in the diversity of peoples’ and civilizations’ life.

Within the intention of a more deeply understanding of this epoch, we look back on the Heglian concept o history, not with a critical attitude (which would always be subjective) but rather as a dissertation of the work itself; for if philosophy is thought, the philosophy of history is to think of it in its objective manifestations.

This article exposes and follows through the analysis this thought.

For Hegel, nature is a predication of the idea which is manifested in its determination, in other words the infinite spirit, for its infinite activity is determined in the finite.

It is through these determinations that the Idea reveals itself and becomes self-conscious.

However, it is not determined by chance, but according to a concrete order and precise laws. These laws and this order are the Divine Providence revealed to man, and this should make them aware of himself, discovering them.

This is the ultimate goal of man.

But the nature acquires two forms: the natural world, with its physical laws, and the spiritual world, with its own determinations of the spirit: religion, art, philosophy, law, etc .. which can be carried out only in the State because as a whole, they constitute the people’s ethics.

All these determinations of the Idea are the history’s matter produced by itself, and because they fall in time, which is the present negativity, they live with no future and no past in an eternal present.

It is the objectification of the main theme of Hegel’s philosophy: the dissolution of the finite in the infinite, or expressed in another way, what is rational is real and what is real is rational.

So the philosophy of history, not only sees itself as a set of all Hegel’s thought as it is the realization in act of what man is, as it is, and how it should be, a continuous process that reflects the becoming of idea.

 

Palavras-chave / Keywords

História, Filosofia, Determinação, Liberdade, Estado.

History, Philosophy, Determination, Freedom, State.


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