O conceito hegeliano da história

Autores

  • Luís Manuel Lourenço Sêrro

Resumo

Como época, o Romantismo manifesta-se pluralmente na diversidade concreta da vida dos povos e das civilizações.

Foi com intuito de o compreender mais profundamente que nos debruçamos sobre o conceito Hegliano de História, não com uma atitude critica (que seria sempre subjectiva) mas como uma dissertação sobre a obra em si mesma; pois se a filosofia é pensamento, a filosofia da História é pensá-la nas suas manifestações objetivas.

Este artigo expõe e acompanha pela análise este pensamento.

Para Hegel a natureza é uma predicação da ideia que se manifesta na sua determinação, ou seja o espirito infinito, pela sua infinita atividade determina-se no finito.

É através destas determinações que a Ideia se revela a si mesma e se torna autoconsciente.

Porém, ela não se determina ao acaso, mas segundo uma ordem concreta e leis precisas. Estas leis e esta ordem são a Providência Divina que se revela ao Homem, e este deve tornalas conscientes de si mesmo, descobrindo-as.

Tal é o fim último do Homem.

Mas a natureza adquire duas formas: o mundo natural, com as suas leis físicas, e o mundo espiritual, com as determinações próprias do espirito: a religião, a arte, a filosofia, o direito, etc.. que só se podem realizar no Estado, pois elas constituem no seu conjunto a eticidade dos povos.

Todas estas determinações da Ideia são a matéria da História que ela mesmo produz, e porque caem no tempo, que é a negatividade do presente, elas vivem sem futuro e sem passado num eterno presente.

Tal é o tema central da filosofia de Hegel: a dissolução do finito no infinito, ou expresso de outra maneira, o que é racional é real e o que é real é racional.

Por isso a filosofia da História, não só se assume como um conjunto de todo o pensamento de Hegel, como é a realização em acto de tudo o que o homem é, como é, e como deve ser, num processo continuo que reflete o devir da ideia.

Palavras-chave:

História, Filosofia, Determinação, Liberdade, Estado

Biografia Autor

Luís Manuel Lourenço Sêrro

Nascido em Lisboa a 19 de Outubro de 1953, licenciou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1979. Esteve então integrado na equipa de projectos da Profabril de 1979 a 1983, tendo estado ao serviço desta mesma firma, um ano em Angola. Ingressa como docente da Universidade Lusíada em 1989, onde leccionou as disciplinas de Desenho, Geometria e, Geometria Projectiva tendo no ano de 1998 concluído o curso de Mestrado em Arquitectura, nesta mesma Universidade. Paralelamente, em actividade liberal, tem uma vasta obra construída, sobretudo no campo da acção social, tendo também desenvolvido diversos projectos do âmbito urbanístico, turístico e residencial. Em 2009 conclui o curso de doutoramento em Teoria da Arquitectura, pela Universidade Lusíada. Sobre o título “Para um entendimento do gótico meridional”.

Referências

ABBAGNANO, Nicola. 1991. História da Filosofia. Vol. IX. Lisboa: Editorial Presença.

FICHTE. 2009. Discursos à Nação Alemã. Col. Temas e Debates. Círculo de Leitores. Trad. Alexandre Franco de Sá

HAAS, Andrew. 2000. Hegel and the Problem of Multiplicity. South Wales: SPEP Studies in Historical Philosophy.

HEGEL, G.W.F. 2009. La Philosophie de l’Histoire. Col. La Pochothèque. Paris: Le Livre de Poche.

HEGEL, G.W.F. 2004. Philosophie de la Nature. Tome II Encyclopédie des Sciences Philosophiques. Paris: Libraire Philosophique J. Vrin.

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Publicado

2016-05-12

Como Citar

Sêrro, L. M. L. (2016). O conceito hegeliano da história. Revista Arquitectura Lusíada, (7), 61–75. Obtido de http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/ral/article/view/2330

Edição

Secção

Artigos