Características de sustentabilidade de materiais de construção renováveis

Carlos Oliveira, Alberto Reaes Pinto

Resumo


Existe a percepção generalizada da necessidade urgente de implementar medidas concretas que visem a redução do consumo de energia e, consequentemente, das emissões de carbono, entre outras, em todos os sectores da economia e actividade humana.

No caso do sector da Construção têm vindo a ser tomadas várias medidas tendentes à melhoria da Eficiência Energética nos edifícios, associadas com a utilização acrescida de Energias Renováveis, com destaque para a micro-geração. Neste contexto, surge a directiva 2010/31/UE, relativa ao desempenho energético dos edifícios.

Nesta perspectiva, a obtenção de um patamar elevado da eficiência energética é alcançado através de estratégias de concepção e de isolamento, que visam conceitos como Passive Haus e zero-carbon buildings, mas, até ao momento, pouca atenção tem sido dada aos materiais envolvidos, pois considera-se exclusivamente a óptica da Energia Operacional, i.e.,a energia envolvida exclusivamente no funcionamento e manutenção do edifício durante a sua vida útil. A adopção de uma abordagem de Ciclo de Vida torna-a mais abrangente, levando também a considerar a Energia Incorporada nos processos construtivos e nos materiais envolvidos.

Muitos dos materiais utilizados como “isolamento” para incrementar a eficiência energética dos edifícios são obtidos a partir de matéria-prima fóssil, o que não só é um contra-senso, como os converte em objectos potencialmente contaminantes do Ar Interior dos edifícios, bem como do Ambiente, nas suas fases de fabrico e de fim de vida. Como resposta a este problema, começam a surgir no mercado soluções obtidas a partir de “materiais renováveis”, ou seja, materiais naturais, caracterizados por incorporarem o mínimo de energia, serem comparativamente não contaminantes, biodegradáveis e sem riscos evidentes para a saúde humana, como evidenciado pela metodologia ACV (Avaliação do Ciclo de Vida).

Destes materiais têm-se destacado a madeira e seus derivados, a cortiça, o algodão, a lã e o cânhamo, entre outros. Algumas críticas são feitas no sentido que se torna uma tarefa difícil, quase impossível, substituir os materiais sintéticos na cadeia de valor da construção, devido à incapacidade de a oferta satisfazer a procura por parte da madeira ou da cortiça (provenientes de florestas ou montados), ou da afectação de áreas de cultivo para fins não alimentares. Porém, existe a possibilidade de obter celulose a partir de colheitas anuais e em rotatividade com os cereais, como é o caso do cânhamo, sendo uma forma concreta de sequestrar carbono, de contribuir para uma construção energeticamente eficiente, saudável e de baixo impacte ambiental.

 

There is a large understanding about the need of urgent measures in order to reduce energy consumption, and therefore carbon emissions among others, in all the fields of human living, including the economy.
In the building sector, several measures have been taken in order to improve energy efficiency in buildings, together with the increased use of renewable energy, mainly on microgeneration. In this context, arises the proposal for the Directive on the energy performance of buildings, recast (2010/31/UE).

From this point of view, it’s possible to achieve a high level of energy efficiency by mean of design and isolation strategies, which aim to concepts such as Passive Haus and zerocarbon buildings. However, no much attention has been given to the materials involved, but rather to an operational energy point of view, i.e., the energy concerned with the operation and maintenance of the building during its lifetime. Adopting a life-cycle perspective makes it more understandable, considering the embodied energy involved in construction processes and materials.

Many of the materials used as “isolation” to increase the energy efficiency of buildings are fossil raw based, which is obviously a nonsense, and make them potentially contaminating tools concerning the indoor air quality of buildings, and even for the Environment, both in production and end-of-life phases. In response to this problem, the construction mainstream started to deliver solutions based on “renewable materials”, i.e, natural materials, with lowenergy embodied, comparatively non-polluting, biodegradable and without known human health risks, as the LCA`s (Life Cycle Assessment) methodology shows.

Wood, cork, cotton, wool and hemp are some of the most important renewable materials although some skeptics warn that it’s very difficult, almost impossible, to replace synthetic materials due to the inability to meet the demand for wood or cork, and the inappropriate allocation of land for non-food purposes. However, it is possible to obtain cellulose from annual crops and in rotation with cereals, such as hemp crop, which is a way to sequester carbon and a contribution for a high-level energy performance, healthy and low environmental impact building sector.

 

Palavras-chave / Keywords

Energia incorporada, Sequestro de carbono, Avaliação de ciclo de vida, Culturas não alimentares, Materiais de baixo impacte ambiental.

Embodied energy, Carbon sequestration, Life-cycle assessment, Non-food crops, Low environmental impact materials.


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