O Messias já chegou e livrará “as pessoas de bem” dos corruptos: messianismo político e legitimação popular, os casos Bolsonaro e André Ventura = The Messiah has come and will redeem the “good people” from the corrupt: political messianism and popular legitimacy, the cases of Bolsonaro and André Ventura

João Ferreira Dias

Resumo


Neste artigo procura-se analisar a introdução de um discurso de natureza messiânica na fabricação da legitimação por parte de dois atores políticos considerados “populistas”: Jair Messias Bolsonaro e André Ventura. Pretende-se, pois, evidenciar a utilização de discursos antissistémicos, anticorrupção e antielitistas que antagonizam a sociedade, entre “pessoas de bem” e as demais, evidenciando um cenário de emergência de outsiders que se legitimam nos preconceitos e que se assumem como redentores das sociedades, operando num quadro de memória social.


This article seeks to analyse the introduction of a messianic discourse in the making of the self-legitimacy by two political actors considered “populist”: Jair Messias Bolsonaro and André Ventura. The aim is to highlight the use of anti-Systemic, anti-corruption, and anti-elitist discourses that antagonize society, between “good people” and the others, evidencing a scenario of emergence of outsiders who legitimize themselves in prejudice, and who assume themselves as redemptors of societies, operating within a framework of social memory.


Palavras-chave / Keywords:


Messianismo, Populismo, Corrupção, “Pessoas de bem”, André Ventura, Jair Bolsonaro.

Messianism, Populism, Corruption, “Good people”, André Ventura, Jair Bolsonaro.


Sumário:

  1. Pano de Fundo do artigo;
  2. Populismo e a matéria de que é feito o Messias político;
  3. Os estudos-de-caso: o “mito” brasileiro, e o "ungido" português;
    3.1. Desmontando o "mito" – Jair Messias Bolsonaro;
    3.1.1. O "politicamente incorreto" como investidura do líder carismático;
    3.1.2. a gramática do autoritarismo;
    3.2. Do Portugal sem racismo à política anti-cigana, o "abençoado" Ventura;
    3.2.1. racismo e a memória da "nação" portuguesa – as manifestações antirracismo do Chega e a questão "cigana";
    3.2.2. o enviado de Deus, Ventura no papel de messias político.
  • Conclusões.
  • Referências Bibliográficas.


DOI: https://doi.org/10.34628/p1bj-5611


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