A política e os media: as eleições de 2001 em Itália

Bernardo Pires de Lima

Resumo


O título deste trabalho "A política e os media: as eleições de 2001 em Itália" sugere desde logo uma relação, seja ela directa ou indirecta, entre estes dois mundos.

Pretende-se, com este estudo, chegar a alguma conclusão respeitante à influência directa que os media poderão ter num contexto de campanha eleitoral numa democracia consolidada e numa nação desenvolvida como a Itália.

Analisando em primeiro lugar os diversos conceitos em estudo que vão desde a opinião pública, à participação política, das estratégias eleitorais ao próprio sistema político e eleitoral italiano, passando pela análise cuidada a sondagens explicativas das diversas variáveis numa eleição legislativa, este estudo cruza todas estas análises com os conceitos pertinentes à sua explicação.

Uma vez regressado à cadeira de Presidente do Conselho, Sílvio Berlusconi, o líder da Forza Itália e da coligação de centro-direita, Casa delle Liberta, possuidor de um império no campo da publicidade, marketing, audiovisual e comunicação escrita, passando ainda pelas áreas do desporto e da construção civil, certamente tentou utilizar este seu vasto poderio empresarial para chegar ao topo.

É precisamente isto que pretendemos investigar dando um ênfase muito particular à crescente personalização da política, imagem e comunicação que hoje em dia parecem ser trunfos a não desperdiçar por nenhum político experiente.

Berlusconi e a coligação de centro-direita terão utilizado estas armas nesta campanha eleitoral de Maio de 2001? Terá o seu poderio comunicacional, e não só, tido influência directa na sua eleição? Como é caracterizado o seu eleitorado preferencial? Será a televisão um instrumento e um meio para captar votos e eleitores de outros campos ideológicos?

A estas e outras perguntas tentámos responder com dados concretos, sondagens produzidas pelo centro de investigação ITANES (Italian National Election Studies), um dos mais profissionais e conceituados núcleos de estudo de Ciência Política em Itália, onde cada dado empírico resultou de 3.209 entrevistas feitas pessoalmente a cidadãos eleitores, com a duração de uma hora cada, conduzidas entre 18 de Maio e 18 de Junho de 2001.

Uma vez analisadas estas sondagens e relacionando-as com os conceitos chave desta investigação certamente que diversas conclusões se extrairão, indicando, como é objectivo deste estudo concreto, se existem ou não de facto relações directas entre um poderio empresarial no campo dos mass media e uma eleição para a chefia de um governo democrático de um cidadão que é ao mesmo tempo detentor desse poderio económico e financeiro.

Com esta investigação pretende-se ainda retractar um pouco a sociedade italiana, os seus graus de participação política e como esta se manifestou em particular neste acto eleitoral.

Fazendo parte do grupo dos oito países mais ricos e industrializados do mundo, a Itália é hoje vista como resultado de um reformismo institucional interno sem recorrer a qualquer tipo de manobra revolucionária: encontrou mecanismos democráticos no seu sistema político que, auxiliados pela coragem de muitos dos seus protagonistas, a colocaram num patamar de crescimento económico bastante elevado. Por vezes este prisma não é acompanhado pelo crescimento político ou pelo relançar do prestígio das instituições, actores políticos e sociedade civil.

Este será um caso pertinente não só em Itália mas em qualquer país onde a prática do liberalismo económico viva de mão dada com a democracia política, institucional e social.


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