África e a crise no Zimbabwe

Autores

  • Luís Castelo Branco Doutorado em Estudos Africanos (ISCTE)j Coordenador Geográfico IPAD

Resumo

Quando o Zimbabwe ascendeu à independência, em 1980, as expectativas em relação ao futuro deste pais eram muito optimistas. Após uma luta de libertação de vários anos, as negociações que conduziram ao Acordo de Lancaster House pareciam ter conseguido acomodar os interesses das diversas partes. Os primeiros anos de governação de Mugabe foram encarados como positivos. No contexto da África Austral. e face ao isolamento da África do Sul do apartheid e à guerra civil angolana, o país assumia-se como o líder regional. Nos anos 90, os problemas não resolvidos du rante as negociações de LancasterHouse, nomeadamente a polémica questão da reforma da terra, associados a erros de governação, lançaram o Zimbabwe num processo de declínio económico e social. O aparecimento do Movement for the Dernocrntic Change (MOC) foi visto como uma esperança de mudança pacífica de regime. Apesar de vários actos eleitorais manchados por sérias irregularidades, o MOC voltou a concorrer às eleições gerais de 2008. As esperanças de mudança surgiram após a vitória do MOC nas eleições legislativas. A resistência do regime de Mugabe em aceitar estes resultados e, ao niío permitir uma segunda volta das presidenciais justas, lançaram o país novamentenum clima de grande instabilidade. Para a resolução da crise no Zimbabwe, grandes esperanças foram depositadas nos países da África Austral, nomeadamente no regime sul-africano. A intervenção do Presidente Thabo Mbcki nas negociações zimbabweanas ficou muito condicionada pela própria real idade política sul-africana.

 

 

 

 

Referências

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Publicado

2013-07-26

Como Citar

Branco, L. C. (2013). África e a crise no Zimbabwe. Lusíada. Política Internacional E Segurança, (1), 41–66. Obtido de http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/lpis/article/view/184

Edição

Secção

Artigos