Tekthnos: geologia, construção de povos e conflitualidade no sistema internacional

Paulo Bessa

Resumo


Este artigo constitui um exercício multidisciplinar, cujo objectivo primário é o de, através da interligação de conceitos e matrizes teóricas de diferentes campos da ciência, designadamente da Geologia, da Política, da Sociologia e da Antropologia, descortinar linhas-guia válidas, em termos de aplicabilidade, para a compreensão da lógica subjacente a uma vasta miríade de fenómenos relacionados com conflitos, desde a esfera internacional à individual. Paralelamente, existe um intuito de demonstrar que um modelo teórico não tem forçosamente de emergir como um colete de forças, cerceando a capacidade de um investigador para equacionar problemáticas, independentemente do seu teor. Neste sentido, existe um ensejo de, sem ser de todo simplista, procurar edificar uma matriz flexível, de âmbito quase holístico, não obstante o enfoque escolhido serem as etnias e as suas relações. Constatando-se que tanto a teoria da Deriva dos Continentes – acrescida posteriormente da Expansão dos Fundos Oceânicos – como as identidades sociais, particularmente a étnica, remetem para uma construção, no primeiro caso etimológica, resultando da dinâmica geológica do planeta, e no segundo da diferenciação social e cultural de grupos de indivíduos, procurou-se verificar a viabilidade de cruzar conceitos e realidades que são muito distintas mas têm algo em comum, deixando em aberto a possibilidade de poderem constituir uma outra perspectiva das relações internacionais, sobretudo na vertente da conflitualidade no sistema global, não apenas entre unidades políticas (Estados) mas também envolvendo as suas componentes populacionais.

 

This article represents a multidisciplinary exercise with the primary goal of, through the interconnection of concepts and theoretical matrixes of different science fields, namely Geology, Politics, Sociology and Anthropology, envisage valid guidelines, in terms of its applicability, to the comprehension of the underlining logic of a wide range of phenomena related with conflicts, from the international to the individual spheres. There is also a desire to demonstrate that a theoretical model does not forcibly has to emerge as a straight jacket, diminishing the hability of an investigator to put themes into perspective, regardless of its nature. In this sense, the objective is to try, without being too simplistic, to build a flexible matrix, almost holistic, notwithstanding the chosen focus are ethnic groups and their relationships. Since both the Continental Drift theory – subsequently complemented by the Seafloor Spreading –and the social identities, ethnic in particular, relate to a construction, in the first case etymological, resulting from the geological dynamics of the planet, and on the second from the cultural and social diferentiation of groups of individuals, an attempt was made to verify the viability of crossing concepts and realities which, although very distinctive, do have something in common, opening the possibility for another perspective of international relations, specially concerning conflicts in the global system, not only between political units (states) but also involving their population components.

 

Palavras-chave / Keywords

Política internacional, Modelos teóricos, Grupos etno-religiosos

International politics, Theory models, Ethnic and religious groups.


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