A modernização da Administração Pública passa por uma revolução burocrática

Autores

  • Albino Anjos Lopes Doutor em Psicologia Social, Professor Associado com Agregação do ISCTE
  • Carlos Rodrigues Doutorando em Gestão (ISCTE)

Resumo

Com base num estudo empírico pretendemos evidenciar a necessidade de um retorno ao modelo de governação das organizações públicas, designado de gestão burocrática, desenvolvido por Max Weber. Com efeito, partindo da ideia de que a Administração portuguesa importou e fundiu dois modelos antagónicos (Napoleónico e Burocrático), nascidos em contextos diferentes, constatamos que essa adaptação à realidade portuguesa resultou num mix culturalmente inadequado, que designamos por Modelo Administrativo Tradicional. De um modo geral, tem-se feito uma crítica severa a este Modelo, como se se tratasse do clássico modelo burocrático weberiano, mas, na verdade, tudo parece indicar que o mix resultante estaria muito longe de ter incorporado os princípios originais da revolução burocrática. Assim, depois de várias décadas de “processos de reforma e modernização”, inspirados em diferentes movimentos teóricos originários de diferentes contextos culturais, as organizações públicas portuguesas parecem continuar a demonstrar, na generalidade, uma grande ineficácia e ineficiência no seu funcionamento. Nesta perspetiva, procuramos saber se o diagnóstico que tem sido feito pelos “reformadores” é ou não desfocado da realidade e quais os pressupostos de que parte. A pesquisa desenvolvida parece confirmar essa desfocagem. Os resultados do estudo empírico efetuado revelaram que, efetivamente, os princípios fundamentais preconizados por Max Weber, designadamente, os da separação entre instância política e organização técnica do trabalho, geradora de decisões informadas, estão sistematicamente ausentes do sistema administrativo português.

Palavras-chave:

Modelo de governação, Gestão, Cultura, Serviço público

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Publicado

08-05-2014

Como Citar

Lopes, A. A., & Rodrigues, C. (2014). A modernização da Administração Pública passa por uma revolução burocrática. Lusíada. Economia E Empresa, (10), 95–139. Obtido de http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/lee/article/view/866

Edição

Secção

Dissertações e teses