Demasiado tarde para ser perdoada? Uma análise sintética sobre o impacto de uma renegociação da dívida pública

Autores

  • Miguel Coelho Universidade Lusíada de Lisboa

Resumo

Muito se tem dito sobre a renegociação da divida pública portuguesa como instrumento para a redução do esforço de consolidação orçamental que está a ser prosseguido. Com efeito, representando o peso dos juros da dívida pública valores próximos dos 5% do PIB, uma redução de 50% dessa despesa permitiria reduzir o deficit público em cerca de 2,5 pontos percentuais, ceteris paribus, conduzindo no imediato ao cumprimento das metas estabelecidas com a Troika. Assim, e tendo em consideração o processo de renegociação de dívida realizado recentemente na Grécia, poder-se-á concluir que um processo de renegociação da dívida portuguesa de médio e longo prazo (76.120M€, excluindo BCE), teria efeito de magnitude distinta, consoante a opção tomada. Por um lado, a aplicação de um haircut de 50% no valor nominal da divida permitiria anular cerca de 38.060M€ da mesma e reduzir o pagamento anual de juros em cerca de 1.655M€. Os institucionais portugueses perderia cerca de 22.180M€, das quais 50% corresponderiam a perdas no sector bancário, enquanto os estrangeiros perderiam cerca de 15.880M€. Por outro lado, o reescalonamento da divida e redução de 50% nos juros permitiria adiar as datas de amortização da divida e poupar anualmente cerca de 1.655M€ de juros (20% dos juros atualmente pagos, o que representa menos de 1% do PIB), com os institucionais portugueses a perderem cerca de 965M€/ano, enquanto os estrangeiros perderiam cerca de 691M€/ano. Em face do resultado obtido, poder-se-á concluir que qualquer processo de reestruturação que eventualmente possa ser adotado exigirá um esforço significativo dos investidores institucionais portugueses, obrigando inevitavelmente a um processo de recapitalização adicional do sistema bancário.

Palavras-chave:

Divida pública, Renegociação de divida

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Publicado

17-02-2014

Como Citar

Coelho, M. (2014). Demasiado tarde para ser perdoada? Uma análise sintética sobre o impacto de uma renegociação da dívida pública. Lusíada. Economia E Empresa, (16), 177–187. Obtido de http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/lee/article/view/477

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