Nota de abertura

Autores

  • António Rebelo de Sousa

DOI:

https://doi.org/10.34628/5yv9-az87

Resumo

A presente edição da revista “Lusíada. Economia & Empresa” integra nove contribuições, particularmente, interessantes.

A Professora Doutora Ana Harfouche, o Mestre ldalécio Lourenço e o Licenciado Estevão Soares dos Santos apresentam um artigo intitulado de “Há adequação do perfil de procura pelos serviços de urgência? — Um estudo exante surto pandémico — COVID-19”.

O texto pretende obter evidência sobre a adequação ou não do perfil da procura à missão e à própria natureza dos serviços de urgência, permitindo, inclusive, pensar em medidas que possam ser adoptadas tendo em vista um eventual redireccionamento da procura, evitando a utilização em excesso dos serviços de urgência.

O estudo centrou-se nos seis serviços de urgência existentes nas três unidades do Centro Hospitalar do Oeste.

Procurou-se dar uma perspectiva dinâmica dos problemas com que se defronta o sector das urgências, no sentido de se encontrarem “portas de saída” para os estrangulamentos e ineficiências existentes.

De um modo geral, conclui-se que se recorre excessivamente às urgências e que deveria reorientar-se uma parte substancial dos doentes para os cuidados primários, no pressuposto da existência de unidades periféricas de qualidade e com a necessária capacidade de resposta face às solicitações da procura.

O Professor Doutor Miguel Fonseca, o Professor Doutor Rui Henrique Alves e a Mestre Ana Luísa Pinto contribuem com um artigo intitulado “Towards on Asian-Pacific or Atlantic Countries”.

Trata-se de um estudo que pretende analisar se o século XXI será, sobretudo, de afirmação do Atlântico ou da Ásia-Pacífico.

Os autores concluem que o Atlântico está a perder “centralidadeeconómica”, muito embora se reconheça que a região Ásia-Pacífico se confronta com alguns desafios importantes em termos de “soft power”, de influência na liderança global e em termos de desenvolvimento humano.

A Professora Doutora Ana Pires de Carvalho escreve um interessante artigo subordinado ao tema “Population Growth Challenges in Sub-Saharan Africa: are they just demographic?”

Segundo a autora, a “força demográfica” na região da África SubSahariana vai ser de continuação de um significativo crescimento populacional, o que colocará diversos problemas sócio-económicos aos países da região.

A autora sugere que, apesar de o Malthusianismo não representar, necessariamente, uma visão do futuro, alguns dos aspectos caracterizadores da produção teórica de Malthus estão a ser experimentados em alguns países.

O Professor Doutor Carlos Barracho apresenta um artigo sobre “O pensamento de Landes perante a obra de Weber: breve reflexão”.

O autor relembra as teses de Weber sobre o papel do protestantismo e, em particular, do calvinismo na origem do capitalismo, salientando que Landes defende que “nem a nível empírico, onde os registos mostram que os mercadores e manufactureiros protestantes desempenharam um papel de líderes no comércio, na finança e na indústria, se pode anular a importância” do pensamento weberiano.

Conclui o autor afirmando que “o processo educacional pode ser responsável pelo sucesso dos indivíduos, devido à necessidade de realização que se traduz no desejo de ser bem-sucedido”, o que explicaria o que designa de “incremento económico dos sujeitos”, o que, por sua vez, permitiria o desenvolvimento do “espírito do capitalismo”.

O Professor Guilherme Waldemar d’Oliveira Martins e a Licenciada Joana Graça Moura contribuem com um artigo intitulado “Tax system in times of crisis: the case of the COVID-19 Pandemic”.

Os autores começam por analisar os desafios lançados pela revolução liberal do século XIX, numa perspectiva, ainda, bastante diferente da actual, tendo em conta a evolução do princípio da equidade e da igualdade, de acordo com a noção de privilégio e o seu carácter excepcional em relação à matéria aplicável ao nível da Lei Geral.

Os autores concluem que a acção governativa, em Portugal, privilegia a mobilização de bens privados para uma resposta tendo em vista satisfazer as responsabilidades ao nível da saúde e da segurança do Estado e das populações.

O Professor Doutor Miguel Coelho tem vindo a participar regularmente nas edições da nossa revista, tendo, agora, elaborado um artigo que se intitula de “Impacto no sistema da segurança social português”.

Segundo o autor, a crise da saúde pública originada pela COVID 19 está a ter consequências severas do ponto de vista económico, sendo previsível, segundo a OCDE, que os efeitos da presente epidemia venham a ter um impacto negativo na economia portuguesa, no seu conjunto.

Será mesmo possível que a sobredita pandemia venha a afectar, a longo prazo, a sustentabilidade do Sistema de Segurança Social.

Já o Professor Doutor Virgílio Rapaz optou por nos presentear com um excelente artigo sobre “Malthus e os 200 anos do princípio da procura efectiva”.

O autor questiona quem está associado ao princípio da procura efectiva, adiantando que a resposta mais imediata é o grande economista Keynes.

Todavia, o próprio atribuía o mérito a Malthus. Virgílio Rapaz pretende reparar essa recorrente “injustiça histórica”, uma vez que, em 1820, Malthus já havia afirmado que “general wealth will always follow effective demand”, o que leva a concluir-se que, como factor explicativo do desempenho da economia, se deveria privilegiar a procura.

Conforme explica, aliás, o autor, “a procura dita ‘efectiva’ de Keynes não é mais do que uma procura ‘expected’, fazendo até mais sentido designá-la de ‘potential’”.

A finalizar, Virgílio Rapaz acompanha Keynes numa homenagem a Malthus, relembrando as palavras do referido Keynes no sentido de que “if only Malthus, instead of Ricardo, had been the parent stem from which nineteen century economists proceeded, what a much wiser and nicer world would be today”.

O mesmo Professor Doutor Virgílio Rapaz contribui para a presente edição com uma recensão do livro “Il faut achever l’Euro” de Jean Quatremer.

O autor salienta que a ideia principal do supramencionado livro consiste na defesa da tese de que, se os governos não tiverem coragem de concluir a construção do euro, esta moeda sem Estado desaparecerá. Mais, para ultimar essa tarefa, haverá que optar por uma solução federalista.

O autor refere, entre múltiplos aspectos relevantes, a iniciativa do Sistema Monetário Europeu desencadeada por Valéry Giscard d’Estaing e Helmut Schmidt, esquecendo, todavia, o papel desempenhado pelo Comissário Europeu Roy Jenkins, algo que não é habitual em Virgílio Rapaz.

No final do seu livro, Quatremer propõe “um orçamento que possa desempenhar o mesmo papel que o orçamento federal dos EUA, um Tesouro europeu, capaz de se endividar nos mercados a taxas sustentadamente baixas, um Ministro das Finanças controlando essas actividades sob a vigilância de um Parlamento da área do euro e uma União Bancária acabada”. Enfim, “uma federalização da zona euro”.

Em síntese, Virgílio Rapaz, não obstante formular diversas críticas à obra em apreciação, considera que a mesma constitui uma fonte útil e rica de informação sobre a criação, o funcionamento e a sobrevivência do euro.

Por último, o autor da presente “Nota de abertura” apresenta um modesto texto intitulado “Exports and FDI: Policy lnstruments and Economic Diplomacy”, no qual procura explicar as diferentes tipologias da interna-cionalização, desde a “internacionalização suave” à “forte”, bem como os instrumentos que poderão vir a ser utilizados tendo em vista a internacionalização da economia portuguesa.

Procura-se, ainda, no referido texto, explicar a relevância da SOFID - Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento e apresentar algumas propostas alternativas tendo em vista a implementação de um modelo de desenvolvimento da economia portuguesa.

Em suma, trata-se de mais uma edição da revista “Lusíada. Economia & Empresa” que abarca nove artigos sobre assuntos diferenciados, de grande actualidade e numa perspectiva económico-social, permitindo descobrir novos caminhos e construir novas soluções a todos aqueles que se considerem, genuinamente, cidadãos de um Mundo que tem que ir encontrando, a cada momento, um projecto de futuro que saiba conciliar a ciência com a ética e com o senso-comum.

Palavras-chave:

Nota de abertura

Publicado

24-08-2021

Como Citar

Sousa, A. R. de. (2021). Nota de abertura. Lusíada. Economia E Empresa, (29), 5–8. https://doi.org/10.34628/5yv9-az87

Edição

Secção

Nota de abertura