Titularização de ativos. Uma revisão

Hélio Miguel Gomes Marques, Mário Guerreiro Antão, Cândido Peres Moreira

Resumo


Historicamente, a atividade bancária esteve assente na intermediação financeira, onde os bancos, via captação de depósitos, emprestavam recursos aos clientes recebendo o capital emprestado, acrescido dos juros, num período de tempo pré-determinado.

As mudanças começaram a surgir, a partir da década de 70, quando os agentes financeiros, não esperando pelo recebimento dos empréstimos, alienaram esses fluxos a terceiros. Numa estrutura um pouco mais sofisticada, o banco poderia agrupar esse conjunto de capital e juros a receber e aliená-los ao mercado, nascendo a titularização.

A titularização teve um relevante papel na crise financeira de 2007-2008, (Benmelech e Dlugosz, 2009, Brunnermeier, 2009, Keys et al., 2010 e Bhattacharyya e Purnanandam, 2011), viabilizando um expressivo aumento da concessão de crédito, que conduziu ao aumento dos preços no mercado imobiliário dos EUA e seu subsequente declínio (Brunnermeier, 2009), permitindo a criação de títulos através de engenharia financeira, os quais, percecionados como seguros, estavam expostos a elevados riscos que haviam sido negligenciados (Gennaioli, Shleifer e Vishny, 2012). Por outro lado, teve um impacto positivo no período pós 2008, nomeadamente na viabilização de obtenção de liquidez por parte dos bancos, através dos programas dos Bancos Centrais (Altunbas, Gambacorta e Marqués, 2007, Cardone-Riportella, Samaniego-Medina e Trujillo-Ponce, 2010 e Krebsz, 2011), pelo que continua a existir uma crescente necessidade de conhecer e dominar o conhecimento sobre este instrumento.

Com o presente trabalho pretende-se contribuir para o melhor conhecimento do instrumento titularização de ativos, face ao papel que o mesmo teve, e continua a ter no mercado, e em sentido mais lato para a literatura existente sobre titularização de ativos levada a cabo por instituições financeiras (Maddaloni e Peydró, 2011), (Pagano e Volpin, 2008), (Jiang, Nelson e Vytlacil, 2014).


Historically, the banking activity was based on financial intermediation, where banks capture deposit and lent funds to clients, receiving the borrowed capital plus interest, over a predetermined period of time.

The changes began to emerge, in the beginning of the 1970s, when financial agents, not waiting for the loans’ repayment, disposed of these flows to third parties. In a somewhat more sophisticated structure, the bank could group this set of receivable capital and interest and dispose of it in the market, and so the securitization was born.

The securitization played an important role in the 2007-2008 financial crisis, (Benmelech and Dlugosz, 2009, Brunnermeier, 2009, Keys et al., 2010 and Bhattacharyya and Purnanandam, 2011), making possible a significant increase in the loans. (Brunnermeier, 2009), allowing the creation of securities through financial engineering, which, perceived as safe, were exposed to high risks that had been neglected (Gennaioli, Shleifer and Vishny, 2012). On the other hand, it had a positive impact in the post-2008 period, notably on the viability of obtaining liquidity by the banks, through the Central Banks programs (Altunbas, Gambacorta and Marqués, 2007, Cardone-Riportella, Samaniego-Medina and Trujillo-Ponce, 2010 and Krebsz, 2011). Therefore, there is a growing need to know and master the knowledge about this instrument.

This paper aims to contribute to a better understanding of the asset’s securitization instrument, considering the role it has had, and continues to have in the market, and in a broader sense, to the literature on asset securitization carried out by financial institutions (Maddaloni and Peydró, 2011), (Pagano and Volpin, 2008), (Jiang, Nelson and Vytlacil, 2014).


Palavras-chave / Keywords

Titularização, Residential Mortgage Back Securities, Subprime, securitização, Special Purpose Vehicle.

Securitization, Residential Mortgage Back Securities, Subprime, Special Purpose Vehicle.


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