À espera da próxima crise? Análise à situação dos mercados financeiros

Miguel Coelho

Resumo


As crises e os fenómenos de “exuberância irracional” nos mercados financeiros não são fenómenos recentes. Com efeito, desde a famosa “Tulipomania”, no século XVII, passando pelas perturbações bancárias do século XIX até à Grande Depressão de 1929, as crises têm surgido como fases de ajustamento violento a grandes tensões que se vão acumulando sobre os mecanismos de funcionamento dos mercados.

Partindo deste contexto procura-se com este artigo analisar os antecedentes imediatos da crise financeira iniciada em 2007, bem como as principais etapas dessa mesma crise, procurando-se ainda avaliar se alguns dos fatores que lhe deram origem ressurgiram, na sua forma original ou “mascarados”, potenciando, no curto prazo, uma nova crise de dimensões internacionais.

Os resultados obtidos permitem concluir que o “apetite” dos investidores por ativos financeiros menos convencionais parece ter reassumido contornos de dimensões imprevisíveis, enquanto a volatilidade do mercado acionista, representada pelo índice VIX, têm-se situado nos últimos meses, e tal como na véspera da crise de 2007, em valores mínimos históricos. De igual forma, a relação entre as taxas de juro de curto e longo prazos, traduzida no comportamento recente da curva de rendimentos da dívida pública norte-americana (i.e. Treasuries), parece antecipar o regresso do “urso” aos mercados financeiros.

 

The crises and phenomena of “irrational exuberance” in financial markets are not recent. Indeed, from the famous Tulipomania in the seventeenth century, through the banking disruptions of the nineteenth century to the Great Depression of 1929, crises have emerged as phases of violent adjustment to great tensions that are accumulating on the mechanisms of functioning of the markets.

From this context, the article seeks to analyze the immediate antecedents of the financial crisis that began in 2007, as well as the main stages of this crisis, trying to assess if some of the factors that gave rise to it resurfaced, in their original form or “masked”, promoting, in the short term, a new crisis of international dimensions.

The results obtained allow us to conclude that investors’ appetite for less conventional financial assets seems to have reassumed contours of unpredictable size, while the stock market volatility, represented by the VIX index, has been in recent months, and just as on the eve of the crisis of 2007, in historical minimum values. Similarly, the relationship between short-term and long-term interest rates, reflected in the recent behavior of the US public debt yield curve (i.e. Treasuries), seems to anticipate the return of the “bear” to the financial markets.

 

Palavras-chave / Keywords:

Crise financeira, Mercados financeiros internacionais.

Financial crises, International financial markets.


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