Crise financeira mundial: o grande momento ou manifesto sociológico?

Autores

  • Ana Maria da Silva Lourenço Paiva

Resumo

Que nos ensina a história das nossas ideias? Que devemos mudá-las, afirma a autora. Assim, a partir da análise de alguns aspetos da crise financeira de 2008, Ana Paiva discorre sobre a necessidade de uma revisão epistemológica do pensamento do social.

A ideia dominante é a necessidade de se fundar uma Nova Sociologia com base em conhecimentos provados no âmbito das neurociências – interdisciplinaridade - construindo-se uma objetividade externa, positividade ou prova dos factos, através da procura do realismo e não reforçando o reducionismo subjetivo do racionalismo imperante.

O novo paradigma procurado por Ana Paiva afirma que a realidade fala de si através da emoção humana, que automaticamente se converte em sentimento e pensamento ao atualizar-se em cada ser humano, ou seja, é a matéria que se conhece a si própria na forma complexa de ser matéria humana. O homem conhece porque é uma matéria consciente. Assim, toda a razão é também emoção porque é a emoção que a suporta e a produz.

O objetivo da autora é encontrar um equilíbrio entre as várias possibilidades limitadas de conhecer através da razão contingente de corpos físico/químicos (que contêm em si informação material necessária para a sua forma/possibilidade de conhecer): Conheço porque a emoção me conduz ao mundo da consciência e aí é possível a abstração não absoluta mas objetivante do pensamento.

A rutura epistemológica procurada pela autora, decorre do facto de se afirmar que a matéria poder conhecer a matéria. Isto é um realismo e não um novo materialismo, pois a matéria cognoscente não é só matéria. Podemos portanto afirmar que a verdade é uma conformidade ao real e que se revela, parcialmente, através da consciência que emerge nos seres humanos. Não é o homem que conhece mas a matéria que se conhece a si quando é matéria humana. A Nova sociologia seria uma forma de pensamento crítico mas otimista de que é possível conhecer, porque somos matéria pensante, ou seja, a matéria conhece-se a si, ou revela a sua verdade, na sua variedade de matéria viva humana.

Palavras-chave:

Crise financeira mundial, Subjectivismo, Mercado|mão invisível, Razão|emoção, Consciência, Ética, Determinismo da liberdade humana

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Publicado

13-09-2017

Como Citar

Paiva, A. M. da S. L. (2017). Crise financeira mundial: o grande momento ou manifesto sociológico?. Lusíada. Economia E Empresa, (22), 93–108. Obtido de http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/lee/article/view/2441