Lusíada. Economia & Empresa. n.º 28 (2020) 233
O ESTADO DA MACROECONOMIA HOJE:
O CONSENSO APÓS A SÍNTESE DE SÍNTESES
Sofia Vale
Professora Auxiliar do ISCTE-IUL
https://doi.org/10.34628/wp68-z384
O estado da macroeconomia hoje: o consenso após a síntese de sínteses, p. 233-248
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Resumo: A macroeconomia moderna assenta num consenso em torno de
um modelo Novo Keynesiano com três equações, uma IS, uma curva de Phillips
e uma regra de política monetária. A concordância em torno destas funções foi
marcada por um caminho sinuoso feito de debates e sínteses e contextualizado
por acontecimentos económicos marcantes. Este trabalho apresenta e discute os
principais contributos de diferentes autores, ao longo dos últimos 90 anos, para a
definição do núcleo duro da disciplina.
Palavras-chave: Keynes; Macroeconomia; Síntese neoclássica; Modelo novo
keynesiano.
JEL codes: B22, E10
Abstract: Modern macroeconomics settles on a consensus about a New
Keynesian model with three equations, the IS, the Phillips curve and a monetary
policy rule. The agreement about these functions was the result of a winding
path made up of discussions and syntheses and marked by significant economic
events. This paper presents and discusses the main contributions of different au-
thors, over the past 90 years, to the definition of macroeconomics core.
Keywords: Keynes; Macroeconomics; Neoclassical synthesis; New keyne-
sian model.
JEL codes: B22, E10
“(…) after the explosion (...) of the field in the 1970s, there has been enormous pro-
gress and substantial convergence. For a while (…) the field looked like a battlefield.
(…). Over time however, largely because facts have a way of not going away, a largely
shared vision both of fluctuations and of methodology has emerged. Not everything is
fine. Like all revolutions, this one has come with the destruction of some knowledge,
and suffers from extremism, herding, and fashion. But none of this is deadly. The state
of macro is good.” (Blanchard, 2008: 2)
“It was tempting for macroeconomists and policymakers alike to take much of the cre-
dit for the steady decrease in cyclical fluctuations from the early 1980s on and to
conclude that we knew how to conduct macroeconomic policy. We did not resist temp-
tation. The crisis clearly forces us to question our earlier assessment.” (Blanchard,
Dell’Ariccia & Mauro, 2010: 199)
“(…) we need different types of macromodels. One type is not better than the others.
They are needed, and indeed they should all interact.” (Blanchard, 2018:44)
Sofia Vale
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1. Introdução
No início de um curso de macroeconomia, é habitual apresentar a definição
desta subárea disciplinar como o estudo da economia como um todo, dos seus
grandes agregados – o PIB, a inflação e o desemprego, bem como das políticas
económicas que os afetam. Se esta definição é relativamente transversal a todas
as abordagens, a verdade é que um longo caminho foi percorrido desde a fun-
dação da disciplina por John Maynard Keynes, na década de 1930, tendo a sua
evolução sido marcada por contradições e posteriores consensos. Destes campos
de batalha terá resultado a definição daquele que é hoje o seu núcleo duro e que
é hoje lecionado, com diferentes graus de aprofundamento, na academia, bem
como objeto de investigação com repercussão na política económica. A macroe-
conomia moderna estrutura-se em torno de um modelo Novo Keynesiano com
3-equações: a IS, para apresentar o equilíbrio do mercado de bens e serviços; a
curva de Phillips que representa o lado da oferta agregada; e uma regra de políti-
ca monetária, a possível política económica (Carlin e Soskice, 2005).
Uma característica que marca a construção da área sub-disciplinar em análi-
se é o reclamar por cada nova corrente de ter procedido à síntese daquele que era
o estado da arte anterior na matéria. Este procedimento, por um lado, tem con-
tribuído para debates acesos entre economistas, conduzindo à transformação e
adaptação da disciplina em função do contexto histórico-económico, e por outro
tem permitido de forma relativamente subtil a imposição de uma corrente do-
minante. Este artigo propõe-se fazer uma breve reflexão sobre os aspetos funda-
mentais da evolução e construção do paradigma dominante da macroeconomia.
2. A fundação da macroeconomia
A macroeconomia moderna nasce com John Maynard Keynes na década
de 30 do século passado, em rotura com aquela que era até então a análise tra-
dicional em economia. Esta rutura é maioritariamente gerada por fatores exter-
nos à disciplina, nomeadamente a crise económica que causou níveis elevados
de desemprego e baixo nível do produto, problemas que exigiam uma resposta
imediata e para os quais a escola clássica não apresentava soluções, tratando o
desemprego como voluntário e de efeito temporário.
As ideias de Keynes têm a oportunidade de ser testadas avant la lettre, numa
tentativa de reparar as dificuldades reais das economias (à época) avançadas,
causadas pela Grande Depressão. Serão aplicadas nos EUA no contexto do New
Deal de Roosevelt (que terá seguido o projeto desenhado por Marriner S. Eccles)
e a evolução desta disciplina, na forma de corrente dominante, ficará até hoje
ligada ao mundo anglo-saxónico. A génese da macroeconomia irá balizar duas
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das suas principais características: a primeira, a sua edificação ser extremamente
permeável ao contexto histórico-económico e a sua evolução ser maleável aos
acontecimentos que marcam, em particular, as economias ocidentais; e a segun-
da, ser moldada pelos efeitos da política macroeconómica que implicitamente vai
servindo de teste a correntes teóricas que se opõem. Cada crise altera a disciplina
de macroeconomia e a política macroeconómica, uma singularidade que a torna
relativamente dinâmica, mas que leva a que cada nova abordagem se arrogue o
papel de síntese da anterior.
Com Keynes (1936) regista-se um forte abanão no edifício neoclássico. Dos
que viriam a marcar de forma mais vincada a corrente keynesiana que se segui-
ria, destacam-se a ideia de que os preços são fixos ou viscosos (sticky) no curto
prazo e, como tal, os mercados não estão sempre em equilíbrio, e os ajustamen-
tos fazem-se pelas quantidades e não pelos preços. Duas variáveis preocupam
Keynes em particular: o desemprego, encarado como um ajustamento pelas
quantidades no mercado de trabalho; e, a poupança, que as famílias aumentam
em fase de recessão, contribuindo para o seu agravamento. Para Keynes, ambos
os problemas poderiam ser solucionados através do aumento do nível de des-
pesa pública que contrariaria a quebra do consumo e provocaria o aumento da
procura agregada incentivando as empresas a produzirem mais e a contratarem
trabalhadores para tal. A análise económica transfere-se da oferta agregada para
a procura agregada e o curto prazo assume um papel central, tornando-se o ob-
jeto da política macroeconómica. Os desequilíbrios cíclicos e de curto prazo da
economia, preços que não se ajustam, o papel do Estado e compreender o desem-
prego involuntário, fazem atualmente parte de qualquer programa mainstream
de macroeconomia.
3. A síntese neoclássica e os neokeynesianos
O sucesso da receita keynesiana na resposta à Grande Depressão forçou
a escola clássica a aceitar esta análise, o que aconteceu durante as décadas de
1950 e 1960. A corrente clássica procurou enclausurar a análise keynesiana nos
princípios da sua análise, nomeadamente de equilíbrio geral, surgindo a desig-
nada síntese neoclássica (Hicks, 1937, Modigliani, 1944). O novo modelo IS-LM
era centrado na análise de dois grandes mercados agregados do lado da procu-
ra agregada – os mercados de bens e serviços e monetário, aos quais se juntou
posteriormente o mercado de trabalho, o único fator produtivo ajustável no cur-
to prazo e que representaria o lado da oferta agregada. Samuelson (1947), mais
tarde prémio Nobel, é à época um dos grandes defensores e difusores destas
ideias. A análise assumia como variáveis endógenas o produto (ou rendimento)
nominal e a taxa de juro nominal num sistema de equações que representava o
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equilíbrio no mercado de bens e serviços e o equilíbrio no mercado monetário.
Privilegiava-se o lado da procura agregada e enfatizavam-se os efeitos sobre a
mesma da política orçamental e fiscal, atribuindo aos governos um papel ativo
de estabilização da atividade económica. Por efeito multiplicador (keynesiano),
uma expansão unitária da despesa geraria uma variação superior à unidade do
produto, permitindo ainda gerar parte da receita necessária para equilibrar as
contas públicas, num resultado de estabilizador automático. Todo este raciocínio
aprovava a intervenção do Estado na economia. Do lado do mercado monetário,
o protagonismo era dado à procura de moeda sendo esta função do rendimento
nominal e da taxa de juro nominal. Através do equilíbrio conjunto nos dois mer-
cados foi introduzido o conceito de mecanismo de transmissão monetária – uma
redução da oferta de moeda faria subir as taxas de juro, afetando as variáveis
reais da economia, em particular o investimento.
Em paralelo, desenvolve-se o modelo procura agregada e oferta agregada
(AD/AS) onde as variáveis endógenas são o produto real e o nível de preços. A
procura agregada (AD) seria determinada por equilíbrios simultâneos nos mer-
cados de bens e serviços e monetário, obtidos para diferentes níveis de preços
e representava a quantidade total de produto real procurado na economia para
cada nível geral de preços, tendo inclinação negativa. A oferta agregada (AS)
refletia o produto real produzido e oferecido numa economia para cada nível
geral de preços. A sua configuração era menos consensual, alternando entre ser
horizontal na versão keynesiana pura com ajustamento pelas quantidades, ou ser
positivamente inclinada ou vertical, nas versões clássica, respetivamente, de cur-
to e longo prazos. A versão clássica distinguiria o período em que os preços dos
bens se ajustam, sem que o mesmo ocorra com o preço dos fatores produtivos – o
curto prazo, do período em que todos os preços se ajustam e a economia produz
ao seu nível potencial – a definição de longo prazo. O modelo é hoje transversal-
mente ensinado em macroeconomia, enfatizando-se a distinção entre produto
efetivo e produto potencial.
Este é também um período rico do ponto de vista matemático e estatístico, o
que dá origem ao desenvolvimento da macroeconometria e ao surgimento de um
modelo econométrico para os EUA (Klein & Goldberger, 1955), que viria a abrir
espaço para a refutação empírica das teorias vigentes e introduziria a previsão e a
simulação dos efeitos da política económica. Neste contexto, Phillips (1958) con-
clui pela existência de uma relação empírica negativa entre a variação dos salá-
rios nominais e a taxa de desemprego no Reino Unido, entre 1861 e 1913. A lacu-
na do modelo IS-LM na análise do mercado de trabalho e a ideia que se afirmava
na época de que a inflação era causada pelos custos, levou à introdução da curva
de Phillips tradicional na análise neokeynesiana. Lipsey (1960) transformaria esta
curva ao introduzir o conceito de desemprego friccional que permitia admitir um
valor positivo para o desemprego de pleno-emprego e, portanto, desemprego
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numa economia em equilíbrio de longo-prazo. O desemprego total correspon-
deria à soma de desemprego involuntário com desemprego friccional e poderia
estar abaixo ou acima do desemprego natural. Simultaneamente, os salários da
curva de Phillips original são substituídos por preços. Com um enquadramento
teórico sustentado nos resultados de um estudo empírico, passou-se a aceitar a
ideia de que um aumento da procura agregada levaria à diminuição do desem-
prego e à subida da inflação e a política económica passaria a ser desenhada de
acordo com este trade-off. Com todas as limitações que o modelo IS-LM combi-
nado com a curva de Phillips pudesse ter, representou um primeiro consenso na
macroeconomia, permanecendo em muitos manuais de nível intermédio e sendo
recorrentemente reabilitado por macroeconomistas como King (2000) e Krugman
(2000, 2018) que realçam a sua simplicidade e poder explicativo.
3.1. Economia aberta
A referência ao modelo neokeynesiano não fica completa sem uma alusão
à incorporação no mesmo das consequências macroeconómica da abertura ao
exterior. Nos anos de 1960, sob a égide do FMI e com a intensificação da troca
mundial e dos movimentos internacionais de capitais, o modelo é alargado para
incluir o equilíbrio do mercado cambial (a função BP) na versão de Mundell-
Fleming (Fleming, 1962; Mundell, 1963). Passa-se a considerar os efeitos sobre
uma economia de adotar câmbios fixos ou câmbios flexíveis, essencialmente em
contexto de mobilidade imperfeita de capitais, refletindo as preocupações da
época com o aumento das relações entre países e com a criação de um sistema de
pagamentos internacionais. Supostamente, a versão IS-LM-BP permitiria anali-
sar os impactos da globalização sobre o equilíbrio macroeconómico, abrangendo
diferentes cenários para economias abertas, nomeadamente os casos de peque-
nas economias abertas como a economia portuguesa.
4. Friedman e os monetaristas
A partir dos anos 1950, mas em grande força na década de 1960, cresce a
corrente monetarista, encabeçada por Milton Friedman, crítico acérrimo do con-
senso neokeynesiano. Friedman recupera a teoria quantitativa de moeda dos
clássicos, que identifica com uma teoria da procura de moeda que dependeria
apenas do produto nominal e com velocidade de circulação da moeda constante.
Daqui conclui que as alterações nos preços serão causadas por alterações na ofer-
ta de moeda (a inflação é sempre um fenómeno monetário) e defende uma regra para
a criação monetária, nomeadamente, seguir uma taxa de crescimento constante,
dada pelo crescimento do produto potencial. O autor critica a política económica,
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repudiando o uso da política orçamental e dando primazia à política monetária,
mas pretendendo limitar o poder discricionário dos bancos centrais através da
regra de política monetária. Os efeitos que a moeda teria na economia seriam
apenas de curto prazo, estimulando a procura agregada, enquanto no longo pra-
zo os seus efeitos seriam nominais, a ideia de neutralidade da moeda ou dicotomia
clássica. Tal como os clássicos, para Friedman importa entender as condições que
determinam o produto potencial, isto é, o longo prazo. Os monetaristas retomam
a equação de Fisher (1930), considerando importante analisar a diferença entre
taxas de juro nominais e taxas de juro reais, estas últimas representando para eles
o verdadeiro custo da moeda. Esta distinção tem sido atualmente retomada para
discutir os limites da política monetária em contexto de zero lower bound.
Um argumento adicional para rejeitar o uso das políticas macroeconómicas
é a ideia de que há lags, quer na sua implantação, quer na resposta da economia
às políticas, sendo estes lags maiores para a política orçamental. Os lags podem
ter efeitos desestabilizadores sobre a economia por levarem a que as políticas só
produzam efeito quando se tiverem alterado as condições iniciais que as justifi-
caram. Os monetaristas são bastante críticos das políticas de estabilização, enfa-
tizando os seus aspetos negativos como, por exemplo, os efeitos crowding-out da
despesa pública sobre o investimento, ou a ideia de que o Estado utiliza recursos
que são escassos e que ao fazê-lo prejudica a economia. Declaram-se não ativistas
em matéria de política e formalizam um mecanismo de autocorreção da econo-
mia que a conduzirá para o equilíbrio de longo prazo (recuperando ideias dos
clássicos) e no qual a taxa natural de desemprego, introduzida nos finais dos
anos 1960, é uma peça central. Na sequência destas discussões, o modelo AD/
AS começaria a assumir-se como o modelo de referência no ensino da macroe-
conomia.
Esta corrente só seria verdadeiramente influente na década de 1970 após
uma sucessão de acontecimentos negativos, como o fim do sistema de Bretton-
Woods e a crise petrolífera, que provocaram uma mudança significativa no ce-
nário macroeconómico. A coexistência de inflação e desemprego, designada por
estagflação, desacredita a curva de Phillips e a análise keynesiana em geral. A
curva de Phillips aumentada pelas expectativas (Phelps, 1968; Friedman, 1968)
afirma-se como caso mais geral e passa-se a defender a estabilização da economia
ao nível da sua taxa de desemprego natural, como forma a permitir não acelerar
a inflação. A ideia de que no longo prazo não há trade-off entre inflação e desem-
prego vem coartar o papel das políticas (expansionistas) orçamental e monetária
e avisar para os perigos inflacionistas das mesmas, enquanto retoma a análise do
lado da oferta agregada. A curva de Phillips aumentada pelas expectativas e a
sua non-accelerating inflation rate of unemployment (NAIRU) subsiste nos manuais
de macroeconomia, embora ampliada por choques de oferta para permitir retra-
tar os problemas vividos nas décadas de 1970 e 1980.
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5. Os novos clássicos
A década de 1970 é um período de profunda transformação do referen-
cial macroeconómico tradicional. Friedman é um dos grandes expoentes desta
mudança, ao advogar mercados livres e um papel menor para a intervenção do
Estado na economia. Os bancos centrais adotam o controlo da oferta de moeda e
a política monetária torna-se a política de estabilização macroeconómica.
No mesmo período, Lucas (1972) critica a ideia de que os agentes tomam
decisões apenas com base em informação do passado e defende que agentes
optimizadores são capazes de antecipar os efeitos das alterações anunciadas de
política. Os agentes tomam decisões informadas que lhes permitem não errar sis-
tematicamente. Os impactos das políticas orçamental e monetária são neutraliza-
dos por efeito das expectativas de agentes racionais e forward-looking, ao mesmo
tempo que a política de estabilização tem o efeito de desacelerar o crescimento
a longo prazo. Nesta linha de raciocínio, Sargent & Wallace (1975) acrescentam
que a política só terá efeitos na economia se não for antecipada. O modelo IS-
LM é criticado por ser ad hoc e não considerar fundamentos microeconómicos na
explicação dos grandes agregados macroeconómicos (Stiglitz, 2001) e deverá ser
substituído. Os agentes passam a ser representativos e o todo uma mera soma
das partes, ao mesmo tempo que se encontram novos veículos de crítica à políti-
ca económica como, por exemplo, o conceito de equivalência ricardiana (Barro,
1974), de hipóteses contestáveis, usado para demonstrar a ineficiência da política
orçamental.
A análise passa a ser centrada do lado da oferta agregada, mesmo para expli-
car oscilações cíclicas da economia como na análise real business cycle de Kydland
& Prescott (1982) e de King, Plosser & Rebelo (1988) onde o ciclo económico real
é o resultado de choques reais (tecnológicos) sobre a oferta. As análises com fun-
damentos microeconómicos mantêm-se nos manuais de macroeconomia, sendo
normalmente remetidas para os seus capítulos finais, enquanto os choques tec-
nológicos são tratados como a principal causa dos choques permanentes sobre a
oferta.
6. Os novos keynesianos
Nos anos 1980, um conjunto de autores de cariz keynesiana responderam
às críticas apontadas pelos novos clássicos. Em jeito de nova síntese, adotaram
os fundamentos microeconómicos e as expectativas forward-looking e construíram
modelos com imperfeições ou falhas de mercado tais como menu costs (Sheshinski
& Weiss, 1977; Akerloff & Yellen, 1985; Blanchard & Kiyotaki, 1987), rigidezes
reais (Ball & Romer, 1990), falhas de coordenação (Cooper & John, 1988), profe-
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cias que se auto-realizam (Azariadis, 1981), falhas do mercado de trabalho como
na teoria dos salários eficientes (Shapiro & Stiglitz, 1984), ou comportamentos
insider-outsider (Blanchard & Summers, 1986). Nestas análises, como nos clássi-
cos, a oferta agregada é importante, e como nos monetaristas o papel da política
monetária é central, no entanto, defende-se a necessidade de políticas ativas de
estabilização do lado da procura agregada para conduzir a economia para o seu
produto potencial.
O consenso gerado por esta corrente assume expressão numa larga família
de modelos dinâmicos estocásticos de equilíbrio geral (dynamic stochastic general
equilibrium, DSGE) de uso muito comum nos bancos centrais (como o modelo
PESSOA – Portuguese Economy Structural Small Open Analytical, do Banco de
Portugal) e alimentados por métodos computacionais cada vez mais potentes.
A década de 1990 assiste à proliferação dos modelos DGSE que têm por base os
modelos de ciclo económico real (RBC) e que são modelos neo-walrasianos de
equilíbrio geral com vários mercados, onde se destacam o de bens e serviços, o de
trabalho e o de capital, e nos quais se introduzem rigidezes nominais como preços
viscosos, ou à Calvo (1983). O elemento estocástico são choques sobre a economia
e as políticas macroeconómicas, em particular a monetária, são reforçadas, assu-
mindo um papel de estabilização. Pela sua estrutura, são por vezes classificados
como uma nova síntese neoclássica.
A regra de Taylor (1993) é talvez um dos elementos mais representativos da
nova síntese, cerceando o comportamento discricionário das autoridades mone-
tárias, tal como preconizado por Friedman, e fazendo-o com base nas variáveis
centrais da análise macroeconómica – a taxa de juro (a variável endógena da
política), a inflação e o produto, e, portanto, implicitamente o desemprego. Nesta
regra, a taxa de juro nominal corresponde à soma da taxa de juro real de equilí-
brio com a taxa de inflação, retomando a equação de Fisher (1930), e a sua mani-
pulação responde ao hiato do produto (output gap) e ao hiato da inflação efetiva
face a um objetivo de inflação definido pelo banco central. Assume-se que a eco-
nomia oscila em torno de uma tendência de longo prazo, um produto potencial,
que tem correspondência numa taxa de desemprego natural, ao mesmo tempo
que a inflação tem um nível ótimo, implicitamente aquela que ocorre quando o
desemprego está ao nível da sua taxa natural e que acompanha o crescimento
do produto potencial. Simultaneamente, preconiza-se a independência do banco
central, condicionada por uma regra de forma a retirar-lhe poder discricionário.
Em conjunto, estas hipóteses expressam bem o consenso que se estabeleceu entre
o status quo da macroeconomia. O único elemento discricionário do banco central
é o peso que atribuirá ao controlo do hiato do produto versus hiato da inflação,
muitas vezes resolvido atribuindo ponderadores iguais aos dois objetivos. Na
sua aplicação prática, a regra de Taylor transformou-se numa regra de controlo
da inflação, variável que se tornou o objetivo da política de estabilização, essen-
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cialmente monetária.
São três as equações dos modelos DSGE (Clarida, Gali & Gertler, 2000),
que hoje definem o core da macroeconomia: a regra de Taylor, a nova curva de
Phillips keynesiana (Roberts, 1995) que relaciona a inflação com o produto cor-
rente e com expectativas forward-looking para a inflação; e, uma versão dinâmica
da IS que resulta de decisões consumo-poupança dos agentes e que é também
forward-looking.
No início do novo milénio, existia um consenso relativo à predominância
do modelo novo keynesiano, assim designado porque, apesar de preconizar a
rejeição da política orçamental e fiscal discricionária, ainda aceitar que esta pode-
ria ser útil para resolver situações recessivas (Blanchard, Dell’Ariccia & Mauro,
2010). Os períodos de consenso têm resultado de contextos histórico-económicos
que não invalidam o modelo teórico vigente. Nesta fase, a validação empírica
resultava da Grande Moderação (Stock & Watson, 2002), isto é, a constatação de
que nos EUA, entre 1987-2007, se teria verificado uma redução da volatilidade
do ciclo económico real e da inflação. Isto corroborou o uso de modelos DGSE
como base da análise macroeconómica, ao mesmo tempo que contribuiu para
acreditar no papel estabilizador da política monetária conduzida por um banco
central independente.
7. A crise de 2007-2008
Um misto de economia keynesiana, monetarismo e novos clássicos, in-
fluenciava o consenso macroeconómico quando a crise económica e financeira
irrompeu em 2007 nos EUA, obrigando a repensar o entendimento que tinha
levado Blanchard (2008) a afirmar que tudo estava bem com o modelo de aná-
lise macroeconómica. A política orçamental de resposta à recessão económica,
inclusivamente sob a forma de estabilizadores automáticos, resultou num forte
endividamento dos Estado soberanos, enquanto a política monetária se revelou
ineficaz para debelar os problemas gerados pela crise. O período anterior, de ob-
sessão com o controlo da inflação e suas expectativas, teria levado à fixação das
taxas de juro nominais em valores muito baixos, tendo por um lado contribuído
para o endividamento elevado das economias e, por outro, retirado margem de
manobra à política monetária.
O modelo dominante passou a ser questionado, tendo sido identificado um
conjunto de questões que teriam que ser revistas, a saber: a estabilização da infla-
ção não era suficiente para um bom desempenho da economia; a inflação a níveis
baixos dificultava a condução da política monetária em situações deflacionistas;
a intermediação financeira tinha consequências de desestabilização macroeconó-
mica; a política orçamental e fiscal contra-cíclica era necessária para estabilizar
Sofia Vale
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o produto; a regulação tinha efeitos macroeconómicos disruptivos; e, a modera-
ção tinha conduzido à perda de capacidade de lidar com choques (Blanchard,
Dell’Ariccia & Mauro, 2010). Procurou-se introduzir na reflexão, quer estas
questões, quer os obstáculos encontrados no pós-crise, tais como as situações
de armadilha da liquidez (zero lower bound), o inevitável papel dos instrumentos
da política monetária não convencional, ou as não linearidades dos efeitos das
políticas macroeconómicas e sua dependência das fases do ciclo económico, pa-
tente na discussão sobre a dimensão dos multiplicadores fiscais (Auerbach &
Gorodnichenko, 2012; Blanchard & Leigh, 2013).
As últimas grandes reflexões datam de 2018, assinalando 10 anos da eclo-
são da crise, estando publicadas, quer num número especial da Oxford Review
of Economic Policy organizado por Vines & Wills (2018), quer no Symposia
Macroeconomics a Decade after the Great Recession organizado pelo Journal of
Economic Perspectives (2018). As respostas ao repto sobre o futuro da macroeco-
nomia foram muitas e diversas, embora frequentemente os autores se tenham
refugiado em introduzir pequenas reparações nos seus modelos como, por exem-
plo, considerar agentes heterogéneos, ou introduzir fricções nos mercados finan-
ceiros. Algumas das ideias destacadas nestas discussões foram, entre outras: o
papel dos mercados financeiros e da oscilação do preço dos ativos na economia; o
perigo da inflação muito baixa no ajustamento em zero lower bound; a necessidade
de considerar questões da economia comportamental na explicação do consumo;
a introdução de inputs de outras áreas das ciências sociais; ou, a possibilidade
dos modelos virem a ser novamente mais ad hoc. A reabilitação de um papel mais
ativo para o Estado é uma das curiosidades recentes, preconizando-se o aumento
da despesa em investimento público, retomando a preocupação keynesiana de
contrariar o excesso de poupança (savings glut) que ocorre durante os períodos
recessivos e que o Estado pode inverter. É também interessante relevar a preo-
cupação do Bank of England [McLeay, Radia & Thomas (2014)] em retratar a
criação de moeda com um processo em que esta é endógena e maioritariamente
o resultado das ações das relações entre os bancos comerciais e os agentes econó-
micos que procuram crédito.
8. Conclusão: A caminho de uma nova síntese?
Na sequência da crise de 2008-2009 e das novas exigências que se coloca-
ram no plano da intervenção dos governos e dos bancos centrais, começou a
desenhar-se uma nova síntese, dando sequência à tradição de evolução da ma-
croeconomia.
O consenso permanece em torno das três equações do modelo novo-keyne-
siano. A combinação IS-regra de política monetária que define a procura agrega-
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da e a curva de Phillips nova-keynesiana que representa a oferta agregada são a
base da análise. Do seu equilíbrio deverá resultar uma taxa de inflação, o objeto
da política de estabilização.
A referência central é a oferta agregada de longo prazo, representando o
produto potencial – o elemento gravítico em relação ao qual a economia oscila
em resultado de choques exógenos, mas ao qual deve impreterivelmente regres-
sar, sendo permitido à política económica de estabilização o papel de eliminar
o hiato do produto. A nova curva de Phillips assume o papel de mecanismo de
ajustamento, por intermédio dos custos salariais. Do lado da procura agregada,
a regra de política monetária controla a taxa de juro em função de objetivos de
pleno-emprego e de inflação (regra de Taylor) e o mercado de bens e serviços tem
o seu equilíbrio representado pela função IS. Neste contexto, a equação de Fisher
estabelece a ponte entre o objetivo de taxa de juro real do banco central e a sua
capacidade de controlar apenas a taxa de juro nominal. Para analisar a situação
atual, é ainda necessário considerar o efeito de fricções nos mercados financeiros,
as situações de armadilha da liquidez com taxa de juro nominal nula e a política
monetária não convencional. Por último, importa considerar o papel da política
orçamental em contexto de esgotamento da política monetária e as limitações
impostas pelo défice e dívida públicos.
É cedo, no entanto, para se ter certezas relativamente à afirmação desta
nova síntese. A nova crise em que a economia global mergulhou, na sequência da
pandemia da Covid 19, veio criar novos desafios relativamente à compreensão
do funcionamento das economias e da sua capacidade de resposta aos problemas
atuais da recuperação económica. A relação entre os ajustamentos espontâneos
e a intervenção do Estado volta a colocar-se, bem como as restrições da política
orçamental ou as limitações da política monetária, incluindo o papel do banco
central.
Como aconteceu no passado, as novas tendências desenhar-se-ão primeira-
mente numa dimensão pragmática, de resposta aos problemas. Só depois ganha-
rão forma sistematizada e coerente. Também como antes, não é garantido que
a racionalização que se fizer a posteriori e a nova síntese que daí resultar, seja a
imagem direta e perfeita do que se vier a passar no processo de recuperação da
economia mundial e das economias nacionais, que se advinha longo e complexo.
Como disse Keynes, referindo-se ao comportamento dos economistas, a dificul-
dade não está na adesão às novas ideias, mas na capacidade de se libertarem das
antigas. E aquilo que se vier a passar nos próximos tempos vai permitir pôr à
prova, seguramente, o significado desta afirmação.
Sofia Vale
246 Lusíada. Economia & Empresa. n.º 28 (2020)
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