Análise da conversação etnometodológica e investigação em Serviço Social: preliminares teórico-metodológicos

Michel Gustave Joseph Binet

Resumo


Cada atendimento de ação social é o local de uma redefinição da profissão de assistente social, negociada com um utente, no decurso de uma interacção assimétrica, institucionalmente enquadrada. Considerado a essa luz, um corpus de gravações de atendimentos sociais, constitui uma base empírica muito sólida para o estudo do Serviço Social, proporcionando a abertura de janelas de observação direta das práticas profissionais, num importante quadro internacional de intervenção social e de operacionalização local das políticas sociais. O presente artigo procura dar a conhecer e reconhecer a Análise Conversacional (AC) como paradigma de investigação susceptível de enriquecer a produção científica na área do Serviço Social, apoiando-se para o efeito no Projeto ACASS (Binet & Sousa (de), 2013), que possibilitou a recolha de um corpus de gravações de mais de 50 horas de atendimentos de ação social, principal base empírica da tese de doutoramento do autor: Microanálise etnográfica de interacções conversacionais: atendimentos em serviços de acção social (Binet, 2013). Longe de ser apenas uma mera técnica de análise de dados, a acrescentar a uma caixa de ferramentas de investigação já bem apetrechada, a Análise da Conversação etnometodológica pode reivindicar o estatuto de paradigma científico (Binet & Monteiro, 2012), que renova os questionamentos, conquista novos observáveis e redesenha os projetos investigativos reordenando as opções metodológicas a privilegiar.


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