A qualidade e a persistência das aquisições identitárias dos assistentes sociais em Portugal

Autores

  • Maria de Lurdes Fonseca
  • Rute Roda

Resumo

Dir-nos-á a economia que um mundo de recursos escassos é necessariamente um mundo de escolhas, isto é, um mundo alinhavado em torno da irredutível necessidade da concessão ante o custo de oportunidade. Assim é, de facto, e a ciência, parte do mundo, não é naturalmente imune a esse natural estado de coisas. Em ciência, aliás, o drama que a escassez implica agudiza-se desde logo pelo gigantismo da empreitada auto-proposta – naturalmente, quanto maior o caminho que medeie entre um princípio e um fim, mais se manifestará o custo da concessão por efeito de acumulação através do articulado que concretiza o meio, simplesmente porque não haverá como limitar em projetos longos e ambiciosos a multiplicação da necessidade da escolha. Fossemos todos génios, possuidores de tempo ilimitado, de capacidades perenes e de recursos infinitos e a escolha não se poria. Como não é esse o caso, a necessidade da escolha e da seleção de uma metodologia para a sua realização colocou-se, coloca-se e tem efeitos não dispiciendos na atividade científica. A escolha mais essencial da ciência, num mundo que é o da escassez e o do compromisso, é aquela que se desenha na alternativa entre generalização e especialização. Na senda de conquistar o desconhecido, a ciência não deixou nunca de almejar ao pleno: à especialização na especialidade e à especialização na generalidade, como caminho para, no (re)encontro de ambas, verdadeiramente conhecer. Contudo, por melhores que sejam os intuitos, demasiadas vezes as práticas se vêem aquém deles. E o princípio divide et impera tem custos gerais, como os da tendência para a compartimentalização ou para o oposicionismo, assim como custos particulares, em especial para algumas temáticas como aquelas que melhor se acomodam nas fronteiras das especialidades ou na transversalidade através delas, e que, consequentemente, ao posicionarem-se em “território de ninguém” ou em território especialmente propício ao conflito (e à acrescida complexidade), sofrem tanto da tendência à desvalorização como do risco incrementado de inadequado tratamento teórico.

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Publicado

2014-06-05

Como Citar

Fonseca, M. de L., & Roda, R. (2014). A qualidade e a persistência das aquisições identitárias dos assistentes sociais em Portugal. Intervenção Social, (38), 147–182. Obtido de http://revistas.lis.ulusiada.pt/index.php/is/article/view/1174

Edição

Secção

Artigos